Coluna Bernadete Alves - dia 17/08/2018

Brasileiros são premiados no Congresso Internacional de Matemática

Estudantes brasileiros participaram da maior competição internacional de matemática, Asia International Mathematical Olympiad (Aimo), em Bangkok, capital da Tailândia, ocorrida de 3 a 7 de agosto. O Congresso Internacional de Matemática reuniu cerca de 2 mil estudantes do ensino fundamental e médio de 14 países. O Brasil competiu com 225 estudantes. No total, os brasileiros receberam 113 medalhas – três de ouro, 24 de prata e 86 de bronze –, com destaque para os alunos dos Institutos Federais, que conquistaram 29 medalhas. OColégio Pedro II (RJ) recebeu duas medalhas e o Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA), uma medalha de ouro.

A delegação do Colégio Pedro II, uma instituição pública federal, do Rio de Janeiro, foi destaque na AIMO. Os 29 estudantes de 13 a 18 anos, integrantes dos campi Centro, Humaitá II, São Cristóvão III e Tijuca II, trouxeram na bagagem duas medalhas de ouro, cinco de prata, 14 medalhas de bronze e oito menções de honra ao mérito. A melhor prova entre os brasileiros foi de Marlon Fagundes Pereira Júnior, do campus Tijuca II, que ganhou o prêmio Star of Brazil.

Segundo a Rede do Programa de Olimpíadas de Conhecimento (POC), os colégios são convidados a participar de acordo com o resultado na Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras, a edição brasileira da Mathématiques Sans Frontières, criada na França em 1989. Para competir na Aimo, os estudantes tem de cumprir várias etapas. A trajetória começa pelas olimpíadas de conhecimento, principalmente a Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), a Canguru e a Matemática sem Fronteiras.

Os alunos e professores disseram à Agência Brasil, que foi uma experiência única e que as premiações superaram muito a expectativa. Eles citaram dificuldades, como a ansiedade, a dificuldade com o idioma, já que a prova foi em inglês. Para o professor Josimar, há 15 anos no Dom Pedro II e responsável pelo Programa de Iniciação Científica em matemática no campus Centro, é importante ver oportunidades como a viagem à Tailândia como um investimento em educação, e não um gasto para o erário. “O investimento que é feito, muitas vezes é visto como custo, mas, na verdade, é um investimento, e a gente não consegue dimensionar o valor disso. Porque o impacto que vai causar nas crianças que estão vendo tudo isso acontecer, a maneira como vão olhar o ensino da matemática, como esses jovens que estão aqui agora vão lidar com o ensino dos seus filhos, isso não tem como calcular”.

O professor diz que é possível notar a contribuição que as olimpíadas trazem para os alunos e para a quebra do estigma que a matemática tem.“A gente vai conseguir reverter essa coisa de a matemática ser uma disciplina chata, dura, ruim, e tentar trazer o caráter lúdico que a matéria tem naturalmente. Matemática é um barato e a gente acredita que, com isso, essa coisa vai reverberar e a gente acabará divulgando a matemática mais bacana, mais prazerosa, mais lúdica mesmo”.

Maria Helena Baccar, coordenadora-geral do Departamento de Matemática do Colégio Pedro II, explica que todos os campi são estimulados a participar de todas as olimpíadas possíveis.“Em cada campi temos um ou dois professores responsáveis por cuidar disso. É um trabalho muito grande e dura o ano todo. Obmep, Omerj, Canguru, Matemática Sem Fronteiras, que organiza essa internacional, a OBM, que está dentro da Obmep, tem a Tubarão e da Unicamp, a Omif, dos institutos federais para os campi que têm ensino médio integrado ao técnico”.

O estudante Robson Luan do Nascimento Sousa, do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), conquistou medalha de ouro na Asia International Mathematical Olympiad. Ele e outros três colegas do IFMA Campus Santa Inês, trouxeram para o Brasil mais duas medalhas de bronze e um certificado de honra ao mérito.A equipe do campus foi composta, além de Robson, por Joebson Nunes Trindade e Fabio Santos de Oliveira Filho, que conquistaram bronze, e Bruno Carvalho da Silva, que recebeu certificado de honra ao mérito. Da delegação brasileira na Tailândia formada por 225 estudantes, 19 deles são de instituições de ensino maranhenses. Além dos quatro alunos do IFMA, os outros 15 são do Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (IEMA). “Acho que essas conquistas representam o potencial do Brasil para as olimpíadas de ciências e para a Matemática”, disse Robson Luan, medalha de ouro.

O professor que acompanhou os alunos nesta competição, Emanuel Cleyton Macedo Lemos, enfatizou a importância da experiência para motivar os estudantes e descobrir talentos para a matemática. “É outro tipo de realidade, de prova, de nível e de conquista. O sucesso na competição ajuda a motivar outros alunos da nossa instituição e de outras escolas a estudar e chegar ao êxito”.

Os estudantes brasileiros destaques na AIMO são:

Campus Centro: Gustavo Santos Gonçalves (prata); Sophia Lay (prata); Thales Araújo de França (prata) e Lucas de Melo Brito (bronze). Os estudantes Daniel Iorio Alves, Maria Eduarda Pureza Guimarães, Maria Luiza Imenes Nobre de Almeida e Mariana Paixão Batista, ganharam menções de honra ao mérito.

Campus Humaitá II: Ernesto Rui Alpes Gurgel do Amaral (bronze), João Vitor Leal de Souza (bronze), Lavínia Ponso e Vasconcelos (bronze), Lucas Rodrigues de Miranda (bronze) e Yan Gabriel Inagaki de Souza (bronze). Os alunos Pedro Miguel Moraes Vilella da Costa Braga Santiago e Tárik Haddad ganharam menções de honra ao mérito.

Campus São Cristóvão III: Francisco José Martins de Lima (ouro), Aline Alvarenga Sanches (prata), Ana Clara de Oliveira Campos (bronze), Davi Silvério Mascarenhas (bronze), Lucas de Lyra Monteiro (bronze) e Thamires Nascimento S. Monteiro (bronze). O aluno Ícaro Gabriel Moura Dias ganhou honra ao mérito.

Campus Tijuca II: Marlon Fagundes Pereira Júnior, ganhou medalha de ouro, e melhor prova do Brasil, prêmio Star of Brazil), Luiza Costa Pacheco (prata), Carlos Eduardo Farias da Costa (bronze), Felipe de Faria Teixeira (bronze),Guilherme Scorza da Silva (bronze) e Marina Sangineto Jucá (bronze). A aluna Polyana Ferreira Freire ganhou honra ao mérito.

O professor Wallace Salgueiro, da Tijuca, diz que os bons resultados dos estudantes estimulam também os docentes a continuar com os projetos. “A gente fica extremamente estimulado, tanto que no próximo ano vamos ter três professores dando aulas de aprofundamento para olimpíadas, hoje é só um”. De acordo com ele, outras disciplinas também começaram a incentivar os estudantes a participar das olimpíadas, como ciências, química, física, história, filosofia, levando a um ciclo virtuoso que estimula o aprendizado no ensino público. “De fato, é importante mostrar que o ensino público no Brasil tem ótimas referências. A gente mostra que é possível, é a prova cabal de que tem solução sim o ensino público de qualidade para o país”.

Parabéns aos alunos premiados, aos professores e suas escolas. Essas viagens, além de estudos, também servem para os estudantes aprenderem mais sobre a cultura, especialmente no caso dos países da Ásia. Uma experiência que podem levar para toda a vida.

 
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