Coluna Bernadete Alves - dia 02/08/2018

Governo de Brasília e ONU promovem Semana de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas

Acontece em Brasília a 5ª Semana de Enfrentamento ao Tráfego Humano, ação de conscientização da população e a capacitação de agentes públicos para identificarem os sinais desse crime. A ação é uma parceria com o Executivo local, Secretaria Nacional de Justiça e o Escritório da ONU sobre Drogas e Crimes. Até sábado dia 04 as instituições realizam atividades de conscientização para alertar as pessoas sobre este tipo de crime, formas de abordagem dos aliciadores e meios de denunciar atividades ilícitas.

O tráfico humano, também chamado de tráfico de pessoas, é uma das atividades ilegais que mais se expandiu no século XXI. Segundo relatório da Organização Internacional de Migrações (OIM), os pontos aeroportuários, marítimos ou terrestres são os mais utilizados pelos traficantes. Nos últimos dez anos quase 80% das viagens realizadas por vítimas de tráfico internacional foram pelos pontos fronteiriços oficiais. Segundo a OIM, as mulheres são o maior alvo do tráfico representando 84% dos casos, frente aos 73% dos homens.

Há tráfico de pessoas quando a vítima é retirada de seu ambiente, de sua cidade e até de seu país e fica com a mobilidade reduzida, sem liberdade de sair da situação de exploração sexual ou laboral ou do confinamento para remoção de órgãos ou tecidos. A mobilidade reduzida caracteriza-se por ameaças à pessoa ou aos familiares ou pela retenção de seus documentos, entre outras formas de violência que mantenham a vítima junto ao traficante ou à rede criminosa. Os aliciadores são, na maioria das vezes, pessoas que fazem parte do círculo de amizades da vítima ou de membros da família. São pessoas com que as vítimas têm laços afetivos.

“Muitas vezes as vítimas não se enxergam como vítimas desse crime ou têm medo de denunciar por sofrer represália porque os aliciadores conhecem as famílias. A principal dificuldade hoje é ter dados mais concretos deste crime”, afirmou Marina Bernardes de Almeida, coordenadora de Política de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas do Ministério da Justiça.

A analista do Programa do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Fernanda Fuentes diz que as maiores vítimas desse tipo de crime são as populações vulneráveis que geralmente têm menos informações e buscam melhoria da qualidade de vida. Fernanda ainda destacou que mulheres e crianças são as principais vítimas dessa prática. Relatório das Nações Unidas confirma o dado ao apontar que 71% das pessoas traficadas são meninas e mulheres. “O tráfico de pessoas é enfrentado em rede, tanto pelo governo quanto pela sociedade civil. Dependendo de onde ocorre, há objetivos diferentes prevalecendo. Em algumas regiões, é o trabalho escravo. Em outras, a exploração sexual. Por isso é importante a participação de organizações da sociedade civil que podem ajudar a enfrentar o crime dentro do contexto local”, afirmou Fernanda Fuentes, analista de programa do UNODC, durante a cerimônia de abertura da semana, na rodoviária interestadual do Distrito Federal.

O Distrito Federal é um dos destinos preferidos de aliciadores do tráfico humano doméstico.Annie Carvalho, especialista em assistência social do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (NETP) da Secretaria de Justiça do DF, falou que Brasília ainda é vista como promessa de grande oferta de trabalho. “Tem muitas pessoas que vêm com a promessa de emprego aparentemente promissora, mas chega aqui e sofre exploração da mão de obra ou exploração sexual. Essas são as principais modalidades que a gente vem atendendo”, disse a especialista.

Pessoas não são mercadoria. Tráfico humano é escravidão, é violência, é crime. É dever de todo cidadão denunciar. Disque: 100 ou Ligue: 180

 
RocketTheme Joomla Templates