Coluna Bernadete Alves - dia 31/07/2018

Brasília de luto: morre Ari Cunha, o pioneiro da notícia

É com pesar que registro o falecimento do jornalista Ari Cunha, colunista e vice-presidente institucional do Correio Braziliense, ocorrido nesta madrugada de terça-feira, aos 91 anos. Segundo a jornalista Circe, seu pai faleceu em casa após sofrer falência múltipla de órgãos devido à idade e às condições de saúde dele. O velório está previsto para a manhã desta quarta-feira (1°/8) e o sepultamento, para às 17h, no Cemitério Campo da Esperança, na Asa Sul. Do casamento com a professora de enfermagem Maria de Lourdes Lopes Cunha, o jornalista teve quatro filhos: Ari, Eliana, Raimundo e Circe.

Pioneiro da notícia, Ari Cunha, passou a fazer parte dos Diários Associados em 1959 e se mudou para Brasília para estabelecer na nova capital o Correio Braziliense e a TV Brasília. Acompanhou a rotina e lutou por uma capital melhor por 58 anos na coluna Visto, Lido e Ouvido, primeiramente no jornal impresso e depois em um blog na internet. É provavelmente, a coluna mais longeva da imprensa brasileira. Ao longo dos anos, o instrumento serviu para defender, provocar e inspirar moradores e governantes da capital brasileira.

O presidente da República, Michel Temer, lamentou em nota o falecimento do fundador do Correio Braziliense.“Com tristeza recebi a notícia do falecimento do jornalista Ari Cunha, diretor do Correio Braziliense, um dos pioneiros de Brasília e cuja vida se confunde com a história de nossa capital. Brasília encontrou um veículo de imprensa impregnado da ousadia de JK no Correio Brazilienze que contou, em sua brilhante existência, com o espírito desbravador e criativo do repórter Ari Cunha”, registra o texto assinado por Temer.

O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, decretou luto oficial de três dias pela morte do jornalista. Em nota, disse que Brasília perdeu uma de suas maiores expressões. “Jornalista, pioneiro, Ari Cunha confunde-se com a história de Brasília. Chegou aqui cedo e construiu-se como profissional e ser humano com a própria construção da cidade. Ainda menino, aprendi, com a leitura diária de sua coluna por meu pai, que a política é o caminho para ajudarmos as pessoas”, comentou Rollemberg.

O senador Eunício Oliveira, presidente do Congresso Nacional, também divulgou nota sobre a morte do pioneiro Ari Cunha. “Com pesar, recebemos a confirmação do falecimento do jornalista, colunista e vice-presidente institucional do Correio Braziliense, Ari Cunha, aos 91 anos. Cearense, Ari Cunha começou a carreira aos 16 anos na Gazeta de Notícias de Fortaleza. Peço que Deus conforte os corações de todos os familiares e amigos neste momento de grande dor. Deixo minhas sinceras condolências”.

Paulo César Marques, diretor do Correio Braziliense diz que Ari Cunha foi um profissional de garra, determinado, com muito talento. "Vai fazer falta para nós. Como pessoa, ele foi extraordinário, um contador de 'causos', bem-humorado, de bem com a vida. Certamente a família vai sentir muito, e nós sentiremos a ausência do bom companheiro, apaixonado por Brasília, pelo Correio, que tanto nos inspirou."

A jornalista Ana Dubeux, diretora de Redação do Correio, em julho do ano passado quando Ari completou 90,fez uma homenagem ao amigo colunista em um artigo que recebeu o título "Ao mestre Ari, com carinho". A jornalista relembrou características marcantes de Ari, como a risada, o conhecimento sobre Brasília, o amor pelo Nordeste e o jeito como ele tocou um jornal que nasceu com a cidade. "Tudo isso eu tive a sorte de absorver nas longas, produtivas e divertidas conversas. Discutimos também, até sobre machismo, às vezes de forma acalorada, o que só melhorou nossa convivência. Nosso repertório particular soa como trilha sonora de uma amizade leal e cheia de ensinamentos. Levarei sempre comigo", declarou hoje.

José de Arimathéa Gomes Cunha nasceu em 22 de julho de 1927 em Mondubim, no Ceará. Aos 16 anos, ele começou a carreira na Gazeta de Notícias, de Fortaleza, como revisor. Ainda no Nordeste, passou pelo jornal "Estado" e depois a bordo de um navio, deixou a Região Nordeste em 1948 em direção ao Rio de Janeiro, onde começou carreira no Bureau Interestadual de Imprensa e no International News Service.

Por muito tempo, escreveu a crônica política para vários jornais representados pelo escritório. Trabalhou com Carlos Lacerda, Joel Silveira, Heráclito Sales, Paula Job, Prudente de Moraes Neto, Etiene Arregui Filho, Irineu Sousa e outros destacados jornalistas da época. Em julho de 1959, passou a fazer parte dos Diários Associados, ajudado pelo amigo Paulo Cabral e contratado por Edilson Cid Varela, gerente do periódico O Jornal. A Ari Cunha foi confiada a reforma da Folha de Goiaz, em Goiânia, onde permaneceu até setembro. Em Brasília veio com a missão de estabelecer na nova capital o primeiro jornal, o Correio Braziliense, e a primeira televisão, a TV Brasília. Missão cumprida com muita determinação, competência e ousadia.

Em 1961, presidiu a Comissão de Incentivo à Iniciativa Privada, ligada diretamente ao gabinete do então prefeito de Brasília, Paulo de Tarso Santos, ao tempo de Jânio Quadros na Presidência da República. Em 1981, Ari Cunha foi eleito condômino dos Diários Associados. Além da vida intensa na imprensa, ele investiu na vida pública. Entre 1986 e 1987, atuou como vice e presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), durante o governo de José Aparecido de Oliveira. Em 1990, assumiu o cargo de vice-presidente dos Diários Associados, cargo que ocupava até hoje.

Conheci Ari Cunha em 1986. Ele era um superprofissional que inspirava muitos da imprensa. Era um homem de visão respeitado e admirado na cidade. Como jornalista, teve papel ímpar na defesa da liberdade de expressão. O amor pelo trabalho, o respeito aos colegas, a ética, a dedicação à família, aos amigos e Brasília, eram suas marcas. A imprensa perde o pioneiro da notícia e a família um dedicado pai e amoroso avô.

Minha solidariedade aos familiares neste momento de dor e aos profissionais dos Diários Associados meu respeito.

Filho acelera envelhecimento das células da mãe, diz estudo

Estudo da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, mostra que a cada filho gerado as células das mães sofrem uma aceleração do envelhecimento equivalente a até dois anos de vida. De acordo com os especialistas isso acontece devido a horas sem dormir, rotina pesada, cansaço físico e mental.

“A vida das mulheres muda bastante após elas ganharem um bebê, e algumas chegam até a dizer que passaram a "envelhecer mais rápido" quando se tornarem mães”, diz Calen Ryan. Isso tem explica científica.

Durante o trabalho, os especialistas analisaram especificamente trechos de DNA nas extremidades dos cromossomos, chamados telômeros. À medida que as células se copiam, cada geração de cromossomos diminui e perde uma parte desse código. "O comprimento dos telômeros e a idade epigenética são marcadores celulares que predizem a mortalidade de forma independente", diz Calen Ryan, principal autor do estudo. "Ambos pareciam 'mais velhos' em mulheres que tiveram mais gestações em suas histórias reprodutivas."

Os telômeros protegem os cromossomos, que contêm o DNA. A função do telômero é proteger os cromossomos de possíveis danos e, à medida que as células se dividem, eles vão ficando cada vez mais curtos. Medir o tamanho destes telômeros é uma forma de avaliar o envelhecimento celular.

Não é só a gestação que acelera o envelhecimento. O estresse vivido na infância, as dificuldades familiares e a depressão também foram relacionados ao encurtamento dos telômeros, marcador biológico do envelhecimento.

Pesquisadores da Universidade da Colúmbia Britânica, em Vancouver, no Canadá, constataram que a redução dos telômeros depois dos 50 anos aumentava 11% por cada experiência traumática vivida na infância. Para chegar a este resultado a equipe da pesquisa, liderada por Eli Puterman, comparou o comprimento dos telômeros das glândulas salivares de 4.598 homens e mulheres de mais de 50 anos nos Estados Unidos, que responderam entre 1992 e 2008 a perguntas sobre as experiências traumáticas vividas ao longo de suas vidas.

Um estudo de cientistas holandeses e americanos, publicado na revista especializada Molecular Psychiatry, sugere que a depressão pode acelerar o processo de envelhecimento das células. Josine Verhoeven, do Centro Médico da Universidade VU, na Holanda, junto com colegas americanos, recrutou 2.407 pessoas para participarem do estudo. Mais de um terço tinha depressão, outro terço tinha tido a doença no passado e os demais eram saudáveis.

Com base em amostras de sangue, os pesquisadores analisaram o comprimento telômeros. Pessoas deprimidas tinham estas estruturas muito menores. Esta diferença era notada mesmo depois que diferenças de estilo de vida, tais como o consumo excessivo de álcool e o tabagismo, foram levados em conta.

Verhoeven e os outros cientistas especulam que os telômeros mais curtos podem ser uma consequência da reação do corpo à angústia causada pela depressão. "Esse estudo em larga escala fornece provas convincentes de que a depressão está associada a muitos anos de envelhecimento biológico, especialmente entre aqueles que sofrem com os sintomas mais graves e crônicos", afirmaram os cientistas. Ainda não está claro se esse processo de envelhecimento pode ou não ser revertido.

Vários estudos científicos comprovam que não só a depressão como também sentimentos e emoções negativas aceleram o envelhecimento e facilitam a instalação de doenças, inclusive um simples resfriado. Outros estudos garantem que a tristeza profunda da depressão pode até mesmo afetar o nosso DNA.

Depressão não é tristeza passageira. É uma doença que precisa de tratamento. Considerada o ‘mal do século’ pela Organização Mundial de Saúde, a depressão ainda é um desafio para médicos e pacientes. Aumentar a autoestima é mais do que uma questão de bem-estar. A baixa autoestima pode impactar negativamente todos os aspectos da vida, desde relacionamentos até capacidade de produzir.

A alegria é o antídoto contra estes problemas. Sorrir é um remédio sem efeitos colaterais.

 
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