Coluna Bernadete Alves - dia 09/06/2018

Suicídio: problema de saúde pública crescente nos Estados Unidos

As mortes trágicas, nesta semana, da estilista Kate Spade, a jornalista que sonhou com bolsas divertidas, e do renomado Anthony Bourdain,chef estrela da televisão dos EUA, chamaram a atenção para um problema de saúde pública crescente nos Estados Unidos e em várias partes do mundo.

É triste constatar que um momento de profundo desespero e de grande falta de esperança acabe com a vida. O suicídio não tem explicações objetivas. Agride, estarrece, silencia. Continua sendo tabu, sinônimo de loucura, um fenômeno pouco entendido. As estatísticas mostram que esse desejo autodestrutivo precisa, sim, ser discutido.

Anthony Bourdain, chef, escritor e apresentador da televisão americana, morreu aos 61 anos ontem na França. Bourdain estava no país trabalhando em novo episódio de seu programa na CNN, 'Parts unknown'. O promotor da comuna francesa de Colmar, Christian de Rocquigny, disse à Associated Press que a causa da morte foi suicídio. Ele foi encontrado morto por um amigo, o chef francês Eric Ripert, em seu quarto de hotel na manhã desta sexta, em Estrasburgo, no leste do país, de acordo com o canal de TV.

Na terça, dia 05, a estilista Kate Spade, 55 anos, foi encontrada morta em seu apartamento. A polícia de Nova York confirmou que ela cometeu suicídio por enforcamento. A estilista americana Kate Spade, fundadora de uma famosa marca multimilionária conhecida principalmente por suas carteiras e bolsas elegantes, coloridas e urbanas, se enforcou com um cachecol em seu apartamento na Park Avenue, em Manhattan, e deixou uma carta, disse o porta-voz da polícia em entrevista à AFP.

Poucos minutos depois do anúncio da morte de Bourdain, a polícia de Nova York divulgou nas redes sociais uma mensagem afirmando que o suicídio pode ser prevenido. Segundo dados do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), o índice de suicídios cresceu 25% em menos de duas décadas e é a décima principal causa de morte nos EUA. Na metade dos Estados do país, o aumento passou de 30% desde 1999. O problema é tão preocupante que foi construído um Memorial dedicado às vítimas de suicídio.

Anne Schuchat, médica do CDC, diz que Kate e Anthony eram pessoas que não foram diagnosticadas com nenhum problema mental que pudesse levá-las a tirar a própria vida, como a depressão. “É preocupante”, destaca a responsável pelo estudo ao falar da tendência. “Nossos dados mostram que o problema está piorando.”

As estatísticas publicadas pela agência revelam que cerca de 45.000 pessoas morreram por essa causa apenas em 2016. Mais da metade dos casos registrados. A média nacional nos EUA é de 15 mortes por suicídio para cada 100.000 habitantes. Em todos os Estados, exceto Nevada, foram registradas altas no índice de suicídios. O maior aumento foi em Dakota do Norte, de 58%. Mas o índice mais alto é o de Montana, com 29 casos registrados para cada 100.000 pessoas em 2016. Contrasta com o do Distrito de Columbia, onde foram sete para cada 100.000 habitantes. Por faixa etária, o crescimento é significativo entre 45 e 65 anos.

Embora não haja uma causa específica para o suicídio, dados do National Violent Death Reporting System, um sistema que coleta informações sobre mortes violentas nos EUA, mostram que entre os principais detonantes estão os problemas sentimentais. Também há fatores econômicos. Em muitos casos, estão relacionados com a dificuldade que moradores de áreas rurais que ficam para trás na recuperação enfrentam para ter acesso a serviços de saúde, por falta de recursos financeiros ou de cobertura médica.

O fenômeno Bourdain começou há duas décadas com um artigo que escreveu na revista New Yorker sob o título “Não coma antes de ler isto”. Foi a semente do livro Kitchen Confidential, no qual contava sobre os recantos mais escondidos das cozinhas na cidade dos arranha-céus. Virou rapidamente um sucesso de vendas. Daí começou a apresentar A Cook´s Tour para a rede Food Network, título que estava inspirado em seu segundo livro.

Foi contratado depois pelo Travel Channel, que o lançou ao estrelato com No Reservations. The Smithsonian o elevou à categoria de estrela do rock ao vê-lo, pela sua atitude, como o Elvis dos cozinheiros. Por esse programa foi premiado com dois prêmios Emmy. A CNN o contratou em 2013. “Muitos de vocês, como muitos de nós, sentimos um amplo leque de emoções: choque, tristeza, confusão”, dizia emocionado Cooper.

O programa de Bourdain era transmitido aos domingos pela noite nos EUA. Privilegiava o encontro com os locais e os sabores das regiões que visitava, afastadas dos turistas, em contraste ao requinte e à estética. Nunca viajava sem seu quimono de jiu-jitsu e entre suas causas era muito perseverante contra o assédio sexual nos restaurantes. Também era um grande defensor dos imigrantes, com ou sem documentos, especialmente dos latinos que trabalham nas cozinhas.

Bourdain dizia que o principal motivo que tinha para viver era sua filha Ariana, de 11 anos. Mas nas entrevistas mais recentes mostrava uma parte sombria por seu antigo vício em heroína e inclusive comentou que já havia pensado em suicídio após ver tudo o que já havia feito na vida. Mas em seguida retificou a mensagem e declarou-se “razoavelmente contente”. Também disse que morreria trabalhando, porque não tinha intenção de se aposentar. “Sou demasiado neurótico”, admitiu.

Os índices de suicídio crescem a cada ano, muitas vezes motivados por problemas de saúde, como depressão, alcoolismo, drogas,ou simplesmente por causa de algum vazio em relação a vida. Apesar da gravidade do tema, tocar no assunto ainda é um tabu na sociedade. Os poucos dados disponíveis sobre o suicídio também podem dificultar ações de prevenção. Setembro é considerado o mês de prevenção do suicídio. Não importa o tamanho do problema, o suicídio não é brincadeira, não é coisa da moda e nem opção.

Brasileiro é finalista do Prêmio Inventor Europeu

O engenheiro Alex Kipman, nascido em Curitiba, tornou-se o primeiro brasileiro finalista do Prêmio Inventor Europeu, na categoria de países de fora da Europa, ao desenvolver óculos de realidade virtual que exibem hologramas. Inicialmente utilizado em jogos eletrônicos, os óculos de realidade virtual aos poucos conquistam a confiança do público, com utilizações que vão de treinamento em empresas a projetos de educação.

A invenção de Kipman destacou-se em meio a mais de 500 inscrições neste ano e foi escolhida para ser um dos 15 concorrentes que disputaram o prêmio do Escritório Europeu de Patentes (EPO, na sigla em inglês), organização internacional com 38 países-membros.

Filho de diplomata, Kipman é filho de diplomata e cursou engenharia nos Estados Unidos, onde reside. Ele começou a desenvolver o projeto do HoloLens enquanto trabalhava na filial brasileira da Microsoft. O engenheiro disse acreditar que a determinação e o talento do brasileiro inspiram o desenvolvimento de inovações.

“O povo brasileiro é determinado, apaixonado, empreendedor e criativo. Esses são ingredientes para o sucesso. Todos os países têm obstáculos, mas sou utópico e acredito que as pessoas certas, nos projetos certos, com a atitude certa e no tempo certo sempre mudarão o mundo. O que a sociedade brasileira pode fazer é intervir mais e exigir mais para conseguir um lugar melhor”, declarou Alex.

O engenheiro brasileiro disse que os óculos de realidade virtual podem ser usados para romper barreiras entre os seres humanos, principalmente as pessoas com necessidades especiais. “A realidade aumentada pode fazer todo mundo ter habilidades iguais. Da mesma forma que uma pessoa com deficiência pode sentir coisas que não sentiriam e se comunicar de uma maneira em que não se comunicariam, uma pessoa sem deficiência pode sentir na pele a sensação de ter limitações. Isso cria empatia”, declara Alex.

“Visitei uma faculdade de medicina nos Estados Unidos que começou a usar o HoloLens nas aulas, e o resultado foi fantástico. Em vez de aprenderem anatomia por meio de desenhos e de cadáveres, os alunos aprendem interagindo em tempo real em três dimensões. O conteúdo de meses agora pode ser ensinado em dias”, disse Alex Kipman.

O francês Benoît Batistelli, presidente do Escritório Europeu de Patentes,disse à Agência Brasil que a premiação não se baseou apenas nas inovações, mas principalmente no impacto econômico e social de cada invenção patenteada. “Este não é prêmio para a inovação, mas aos inventores. Eles são heróis do nosso tempo, que trazem soluções para desafios. Criam valor para desenvolverem atividades econômicas, gerarem empregos e mudarem a vida da humanidade”, destacou.

Fifa inaugura museu do futebol em Moscou

A Fifa abriu na sexta-feira o museu do futebol localizado numa das ruas mais movimentadas do Centro de Moscou, sem a presença do presidente da entidade, Gianni Infantino, que não pôde comparecer ao evento. O prédio foi aberto neste sábado para receber torcedores de todo o mundo.

Dentre as relíquias do futebol estava a taça que o campeão da Copa do Mundo da Rússia receberá no dia 15 de julho. Convidados, jornalistas e até os seguranças tiraram fotos com o cobiçado troféu.

No museu, os visitantes poderão participar de games interativos e ver relíquias de todas as Copas do Mundo. Do Brasil, por exemplo, além de fotos de Pelé, Romário e Ronaldo, o torcedor também poderá admirar as camisas do Baixinho, utilizada na Copa de 1994, e o uniforme do goleiro Gilmar, usado em 1958.

A estrela da festa de inauguração do Museu foi o ex-lateral Roberto Carlos, campeão do mundo com a seleção brasileira na Copa do Mundo de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão. Atualmente, Roberto Carlos é embaixador do Real Madrid.

Ao posar ao lado das taças Copa do Mundo e Jules Rimet, usada até a Copa do Mundo de 1970, Roberto Carlos disse que nunca viu de perto a Jules Rimet.“Será que por ser campeão do mundo eu possa tocá-la?”, brincou o ex-jogador, olhando a reação dos dirigentes da Fifa presentes ao local.

O ex-jogador falou da expectativa que tem sobre a seleção brasileira de Tite no Mundial da Rússia. “Se o Brasil estiver com o nível lá em cima, ele só perde para ele mesmo. Tem de jogar como em 2002, com a mentalidade de 94”.

 
RocketTheme Joomla Templates