Coluna Bernadete Alves - dia 09/05/2018

Plantas se comunicam entre si, diz estudo feito na Suécia

A Universidade de Ciências Agrárias em Uppsala, na Suécia, analisou o comportamento de mudas de milho tocadas por outras plantas e concluiu que elas “batem papo entre si”, por meio do solo, mesmo em ambientes superlotados.

De acordo com o estudo publicado no The Guardian, elas entram em contato com suas “vizinhas” por meio de substâncias químicas que, secretadas no solo, enviam sinais que teriam como objetivo manter o ecossistema equilibrado.

A ideia de que as plantas podem se comunicar com outras é discutida há muitos anos. Em 1980, por exemplo, pesquisas sugeriam que árvores enviavam sinais elétricos quando os vegetais ao seu lado eram cortados. Contudo, evidências mais consistentes começaram a ser descobertas nos últimos tempos e indicam que a troca de informações entre os vegetais pode ser constante.

“Se nós temos um problema com nossos vizinhos, podemos nos mudar. As plantas não podem. Elas aceitaram isso e usam sinais para evitar situações de competição e para preparar futuras situações”, explicou Velemir Ninkovic, o ecologista que liderou a pesquisa.

Estudos anteriores já mostravam que as estratégias de crescimento de uma planta são influenciadas pelo ambiente ao seu redor. Quando uma folha encosta nos galhos de outro vegetal, por exemplo, isso é capaz de mudar a forma como aquela planta irá crescer. Outro caso seria quando um vegetal, em ambiente superlotado, começa a desviar recursos do solo para conseguir se desenvolver mais rapidamente.

Até então, acreditava-se que tais comportamentos eram motivados apenas por sinais mecânicos captados pelos vegetais, porém, o novo estudo sueco muda toda a perspectiva. Publicado na revista científica Plos One, ele analisou mudas de milho ao serem tocadas, todos os dias, por um pincel de maquiagem, que tinha como objetivo simular o toque de uma planta.

Assim, os vegetais começaram a modificar suas estratégias de desenvolvimento, e algo muito curioso aconteceu em seguida. Os pesquisadores retiraram as mudas do solo em questão e plantaram outro vegetal que passou a repetir o mesmo padrão de crescimento das mudas de milho.

O experimento foi reproduzido em outro local, onde uma planta permaneceu por algum tempo e em momento algum foi tocada. Em seguida, ela foi retirada para que outra muda fosse plantada. Dessa vez, ela não apresentou os padrões de desenvolvimento observados no primeiro teste. Assim, os cientistas perceberam que as plantas usam o solo como canal de comunicação para falar com suas “vizinhas” sobre possíveis ataques de pulgões, por exemplo, além de conseguirem detectar se as mudas ao seu redor são de seus próprios "parentes" ou de "estranhos".

Morre o jurista José Gerardo Grossi

É com pesar que registro o falecimento do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, José Gerardo Grossi ocorrido na manhã desta quarta-feira, aos 85 anos, em decorrência de um câncer de pulmão. Serão realizados dois velórios. O primeiro será hoje das 18 às 21h, no térreo da OAB/DF (516 norte). O outro velório será na quinta-feira (10), a partir das 9h, na capela nº 1 do Cemitério Campo da Esperança (916 Sul). O sepultamento será as 11h.

Grossi era natural de Abre Campo/MG e atuava em Brasília desde início da carreira, foi ministro do (TSE), professor da Universidade de Brasília e conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Profundo conhecedor dos bastidores da política, Grossi trabalhou para políticos de diferentes correntes ideológicas. A carteira de clientes era extensa. Ajudou em ações de direito eleitoral no governo Lula e advogou para os dois ex-governadores do DF: Roriz e Arruda.

 Ele era considerado pelos colegas “o professor da liberdade e o defensor das garantias constitucionais”. Grossi estava na ativa e era conhecido como um dos advogados mais importantes e influentes do Brasil. Juliano Costa Couto, presidente da OAB/DF, lamentou o falecimento do jurista. “A Advocacia está em luto. Perdemos hoje não um grande advogado, mas um cidadão de bem, exemplo para todos, um gigante na defesa das liberdades. Nossos sentimentos”.

O governador Rodrigo Rollemberg lembrou que conheceu Grossi “nos embates políticos, na luta pela redemocratização e nas lides dos tribunais” e escreveu: “Brasiliense por adoção, Grossi sempre se destacou pela maneira correta, direta, mas fervorosa, na defesa de seus clientes e, principalmente, das boas teses jurídicas. É uma grande figura do meio jurídico brasiliense e nacional e deixará uma postura exemplar no meio jurídico e da cidade”.

Para situações difíceis Grossi recomendava a leitura da Ética, de Benedictus de Spinoza, filósofo racionalista do século 17. “Quem vive sob a condução da razão se esforça, tanto quanto pode, para retribuir com amor ou generosidade, ódio, a ira, o desprezo, de um outro para com ele”.

O jurista era um grande exemplo de homem e advogado, que deixará um enorme legado. Grossi trabalhou para dignificar a profissão da advocacia, a sociedade e o Judiciário. Um ser humano muito iluminado. Meus sentimentos de pesar pela irreparável perda.

 
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