Coluna Bernadete Alves - dia 22/03/2018

Dia Mundial da Água: ONU defende que meio ambiente pode resolver problemas hídricos

O Dia Mundial da Água foi estabelecido na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento - a Rio 92, para pautar discussões sobre recursos hídricos. Em 2018 tem como tema “A natureza pela água”, um chamado em prol de soluções baseadas no meio ambiente para resolver problemas hídricos. Estratégicas que focam na gestão de vegetações, solos, mangues, pântanos, rios e lagos, que podem ser utilizados por suas capacidades naturais para o armazenamento e limpeza da água. Com a campanha “A resposta está na natureza”, as Nações Unidas abordarão como estratégias de preservação e restauração ambiental podem proteger o ciclo da água e melhorar a qualidade de vida da população.

Neste ano o tema está sendo abordado de forma mais profunda durante o 8ª Fórum Mundial da Água, que reúne em Brasília representantes de 175 países. O encontro traz o tema "Compartilhando Água". O objetivo, segundo os organizadores, é estabelecer compromissos políticos e incentivar o uso racional, a conservação, a proteção, o planejamento e a gestão da água em todos os setores da sociedade.

O "Relatório Mundial da Água 2018" aponta que a demanda por água das indústrias e das residências tende a aumentar "muito mais rápido" que a demanda da agricultura, embora o setor agrícola apresente indícios de maior consumo. "O aumento da demanda por água ocorrerá principalmente em países com economias emergentes ou em desenvolvimento", diz o documento.

Atualmente, estima-se que quase metade da população mundial – 3,6 bilhões de pessoas - vivem em áreas que apresentam uma potencial escassez de água por pelo menos um mês ao ano. As estimativas para o mesmo dado em 2050 variam entre 4,8 bilhões e 5,7 bilhões.

O Distrito Federal passa por racionamento desde janeiro de 2017. O consumo de água na capital está condicionado a rodízios semanais desde então. No Dia Mundial da Água, foi discutido aqui em Brasília, durante o Fórum Mundial a importância de colocar a água no centro dos debates das políticas públicas. O governador Rodrigo Rollemberg disse que o processo de crise hídrica no Distrito Federal levou a um amadurecimento da população para a necessidade de mudança de hábitos, de evitar o desperdício, de usar mecanismos mais eficientes e econômicos para o uso da água.

Rollemberg citou algumas ações do Executivo para combater a escassez hídrica e celebrou o aumento do volume de água no DF.“Passamos dos 70% da capacidade do Descoberto e estamos chegando aos 50% do Santa Maria, entregamos duas novas captações, Bananal e Lago Paranoá, e temos outra grande obra em andamento, a de Corumbá. Revitalizamos canais, melhoramos métodos de irrigação, estamos recuperando nascentes.”

O presidente do UN Water, Joakim Harlin, destacou que “não há lugar mais simbólico para celebrar o Dia Mundial da Água, do que no Brasil, já que a data é fruto da Rio 92”. O presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, falou que o papel do conselho e do fórum é “mobilizar até o mais alto nível escalão mundial das tomadas de decisões”. O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, disse que “A mudança do clima, o desenvolvimento sem sustentabilidade e as dificuldades de gestão nos levaram a um ponto crítico em relação aos recursos hídricos. Para superá-lo, precisamos tratar os problemas de forma sistêmica e integrada”.

O painel sobre ecossistemas, destacou as estratégias para preservação do Pantanal. A região é considerada uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta e ocupar 1,76% do território nacional. Os governos do Brasil, Bolívia e Paraguai assinaram uma Declaração de Interesse para o Pantanal. O objetivo do documento é favorecer um processo de cooperação para a conservação desse ecossistema.

O Fórum também discutiu sobre o direito humano à água durante a sessão "Abastecimento público ou privado", ao tratar dos desafios para tornar realidade o direito humano à água. A mesa avaliou as vantagens e desvantagens dos modelos públicos e privados de abastecimento e tratamento de esgotos. Japão, França e Senegal mostraram como lidaram com a questão. Já a mesa "Construindo a Agenda de Recursos Hídricos", com países de língua portuguesa, trocaram experiências e conhecimentos técnicos para melhor gestão da água.

Segundo a Unesco “Melhor gestão da agricultura, práticas sustentáveis e a proteção da mata ciliar são soluções verdes que ajudam a melhorar a qualidade do solo, a produção de alimentos e a qualidade da água."Ângela Ortigara, oficial de projetos de avaliação dos recursos hídricos da Unesco, diz que as soluções baseadas na natureza podem "melhorar a segurança hídrica, reduzir riscos de desastres e gerar benefícios aos envolvidos. Um exemplo citado pela pesquisadora brasileira é o programa federal Produtor de Água que oferece estímulo financeiro a agricultores que adotaram mecanismos de preservação ambiental. Em uso no Distrito Federal, a iniciativa é referência da Unesco de priorização das SbNs.

A água é vida. Cuidá-la é dever de todos nós! A atual situação de grave escassez de água potável, nos obriga, como nunca antes, a repensar a questão da água e a desenvolver uma cultura do cuidado, do consumo e produção. Nenhuma questão hoje é mais importante do que a da água. Dela depende a sobrevivência de toda a cadeia da vida e, consequentemente, de nosso próprio futuro.

Curtas

Pesquisadora Rafaela Ferreira, professora adjunta do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais, ganhou em Paris, um prêmio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura, que reconhece o trabalho de mulheres cientistas que mais se destacaram no mundo em 2017. Rafaela recebeu uma premiação de 15 mil euros para dar continuidade a uma pesquisa que busca desenvolver medicamentos para o tratamento do vírus da Zika e da doença de Chagas. A cientista brasileira é a única representante da América Latina entre as 15 vencedoras do International Rising Talents.

Vaso sanitário gigante foi colocado por integrantes de organizações não governamentais ligadas a causas ambientais, em frente ao Congresso Nacional, para alertar sobre o uso da água e a necessidade de saneamento no país.Durante a mobilização, o grupo também estendeu no gramado central uma bandeira, de 750 metros quadrados, com os símbolos da SOS Mata Atlântica, entidade responsável pela iniciativa. "Estamos em 2018 e 70% do esgoto do Brasil continua sendo jogado em rios. Isso causa problemas. Sabemos que mais de 70% das doenças no país são de origem hídrica. Nas campanhas eleitorais, como vamos ter agora, temos candidato falando que vai construir hospital, isso e aquilo, em vez de evitar que as pessoas vão para o hospital", disse o diretor de Políticas Públicas da SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani.

 
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