Coluna Bernadete Alves - dia 08/03/2018

Palácio do Buriti lança Plataforma Virtual em homenagem à Mulher

Com o objetivo de pesquisar e estudar sobre a realidade feminina e tornar a sociedade mais respeitosa e igualitária, o governo de Brasília lançou hoje, no Palácio do Buriti, o Observatório Distrital de Gênero. A plataforma está disponível no portal da Secretaria Adjunta de Políticas para as Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos.

Na cerimônia, também foi assinado o protocolo de intenções entre o governo de Brasília e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios para que seja destinada parte das vagas terceirizadas do órgão a mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. A Portaria nº 45, de 6 de março de 2018, que cria o grupo de trabalho responsável por elaborar a proposta de regulamentação do Banco de Empregos para Mulheres Vítimas de Violência Doméstica e Familiar, está publicada no Diário Oficial do DF desta quinta-feira. A iniciativa integra a Lei nº 6.022, de 14 de dezembro de 2017, de autoria da deputada Sandra Faraj, que trata da criação de um banco de empregos específico para esse público.

O governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, falou da importância da da mulher no equilíbrio familiar e profissional e enumerou as ações realizadas pelo seu governo para garantir a segurança e a cidadania das mulheres do DF. “Este é um momento de muita reflexão, mobilização e união para que possamos avançar na construção de uma sociedade mais igualitária e respeitosa”, disse Rollemberg.

A primeira-dama Márcia Rollemberg, colaboradora do governo, falou sobre a Política Distrital de Equidade de Gênero na Cultura, instituída pela Portaria nº 58, de 27 de fevereiro de 2018, publicada hoje no Diário Oficial do DF. “Não é só ter acesso aos bens culturais, é antes de tudo o fazer cultural, a produção de conteúdo sobre as mulheres, a história das mulheres, que ainda é muito invisível”, disse Márcia.

A Secretaria de Mobilidade lançou hoje a adesão do Distrito Federal à campanha nacional Ônibus é lugar de respeito! Chega de abusos!. Na capital federal, a campanha é desenvolvida no âmbito do programa Brasília Cidadã. O secretário de Mobilidade, Fábio Damasceno, secretário de Mobilidade, mostrou a importância de uma campanha desse tipo no transporte público: “São 3 mil ônibus, 12 mil motoristas e cobradores, 1,2 milhão viagens por dia, o que corresponde a mais ou menos 600 mil pessoas, em torno de 350 mil mulheres”.

A campanha nacional Ônibus é lugar de respeito! Chega de abusos!.tem por meta conscientizar as pessoas pelo fim da violência contra a mulher e do abuso sexual no transporte coletivo. A campanha contará com iniciativas como cartazes nos ônibus, folhetos para distribuição a bordo e nos terminais de passageiros e veículos adesivados. Estão previstos ainda cursos para motoristas e cobradores.

Durante o evento de hoje o governo de Brasília entregou certificados de reconhecimento a lideranças femininas pela contribuição à sociedade. Dentre as homenageadas estavam Raquel Vaz, do Laboratório Sabin e a colunista do Correio Braziliense, Jane Godoy. Apresentações culturais encerraram a cerimônia alusiva ao Dia Internacional da Mulher, no Palácio do Buriti.


Mulheres ganham menos que homens mesmo estudando mais

A constatação das desigualdades salariais entre homens e mulheres foi divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pelo estudo “Estatísticas de Gênero: indicadores sociais das mulheres no Brasil”, mesmo obtendo a maioria dos diplomas de curso superior no Brasil, a população feminina ainda ganha menos, ocupa menos cargos de chefia e passa mais tempo cuidando de pessoas ou de afazeres domésticos do que os homens. Esse quadro apresentado pelo IBGE mostra o quanto ainda temos que lutar para chegar a igualdade de gênero.

O estudo traz um conjunto de informações sobre as condições de vida das brasileiras com base em recomendações da ONU e agrupadas em cinco temas: estruturas econômicas e acesso a recursos; educação; saúde e serviços relacionados; vida pública e tomada de decisões; e direitos humanos de mulheres e crianças. A conclusão do órgão é que “o caminho a ser percorrido em direção à igualdade de gênero, ou seja, em um cenário onde homens e mulheres gozem dos mesmos direitos e oportunidades, ainda é longo”.

Entre a população com 25 anos ou mais, 16,9% das mulheres possuíam curso superior completo em 2016, contra 13,5% dos homens. Entretanto, mais qualificação não reflete em melhor posição no mercado de trabalho: o rendimento habitual médio mensal era de 1.764 reais para as mulheres e 2.306 reais para os profissionais do sexo masculino naquele ano. Elas também estão em desvantagem na tomada de decisões no trabalho: ocupavam apenas 37,8% das posições gerenciais. O tempo dedicado aos cuidados com filhos, idosos e com a casa também é bem discrepante: 18,1 horas semanais delas e 10,5 horas semanais deles.

A vantagem educacional das brasileiras pode ser explicada, em parte, por uma necessidade de se provar mais profissionalmente, já que as empresas têm resistência em contratá-las, reproduzindo a crença que mulheres em idade fértil ou mães custam mais e rendem menos que um homem. “Mas não é só isso, 40% das mulheres são chefes de família e têm buscado melhores oportunidades de colocação por esta via”, acredita Evelin Fomin, jornalista especialista em estudo de gênero, mídia e cultura e idealizadora do projeto SomosMuchas, uma plataforma de avaliação do ambiente de trabalho das empresas pelas mulheres.

A publicação do IBGE afirma que “no Brasil, não é apenas o sexo tem impacto significativo nas estatísticas, mas também cor ou raça, ser portador de deficiência, morar em áreas urbanas ou rurais reforçam desigualdades”. Alguns números exemplificam esse cenário: a taxa de fecundidade adolescente (de 15 a 19 anos) quase dobra na região Norte (85,1%) em relação ao Sudeste (45,4%). E ainda entre os índices de escolaridade, 23,5% das brancas têm formação superior e somente 10,4% das negras e pardas.

Curtas

A Ministra Carmén Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, disse hoje que o Dia Internacional da Mulher é um dia de reflexão sobre o que fazer para combater a violência contra a mulher. A ministra disse aos colegas que os tempos atuais mostram como as mulheres estão sofrendo. "Leio Dostoiévski desde os 14 anos de idade, e nunca li nada do que tenho lido nos processos que todos nós juízes leem, mas certamente a leitura que nós fazemos hoje da vida é muito diferente, até pela solidariedade, que ainda é muito rara com as mulheres. Continuamos sendo seres vulneráveis, seres que respondem por esta vulnerabilidade por uma única circunstância, somos mulheres”.

“Queremos direitos, não flores”, foi o pedido de milhares de mulheres reunidas nas capitais de vários países. As mulheres pediram o fim dos feminicídios, da violência de gênero, do assédio e dos maus-tratos.'Queremos igualdade, liberdade, justiça!' gritavam como palavras de ordem. Mulheres com poder decisório se somaram à jornada de protesto como a primeira-ministra de Nova Zelândia, Jacinda Ardern, a ministra da Cultura Françoise Nyssen, a Prefeita de Paris Anne Hidalgo e membros de organizações sociais carregam um cartaz com os dizeres #MAINTENANTONAGIT (agora nós agimos).

A primeira-ministra britânica, Theresa May, prometeu uma reforma na lei contra a Violência doméstica. “Nem todos os abusos são físicos. Por esse motivo, pela primeira vez incluiremos na definição de violência doméstica o abuso econômico, além de outros tipos de abuso que não são físicos”, escreveu a líder conservadora em um artigo publicado no The Guardian, onde prometeu também ampliar a proteção às vítimas de violência de gênero e promover uma intervenção mais rápida e eficaz da polícia e dos tribunais.

A boneca Barbie ganhou uma coleção com mulheres empoderadas da história em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. São 17 bonecas que representam diferentes mulheres da vida real como: Frida Kahlo, Katherine Johnson, Cloe Kim, Amélia Earhart e Patty Jekins. A Barbie Frida Kahlo, pintora mexicana, chegará ao Brasil neste mês ao preço de R$ 249,99.

 
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