Coluna Bernadete Alves - dia 13/02/2018

Personagens do Carnaval 2018 pedem para tirar o Brasil da lama

A insatisfação do povo brasileiro com os políticos e as políticas sociais foi geral. O grito de carnaval em 2018 também foi um grito de basta. A corrupção virou enredo das escolas Paraíso do Tuiuti, Mangueira e Beija-Flor. Nas arquibancadas do Sambódromo o folião aproveitou a festa para mostrar que não tolera mais ser enganado. O “Carnaval do protesto” uniu sambódromo e blocos espalhados pelas ruas do Brasil que gritaram contra as reformas, Rede Globo, críticas contra os políticos, Judiciário, políticas públicas e não pouparam o governo Temer.

A atriz Claudia Raia desfilou pela Unidos da Tijuca que homenageou o fenomenal Miguel Falabella. E depois Claudia Raia foi um dos destaques da Beija-Flor, que encerrou os desfiles na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira (13/2). Após a dispersão, em entrevista à jornalista e apresentadora Fátima Bernardes, ela disse que a escola de Nilópolis fez uma apresentação histórica.

“A gente quis cantar outro hino, mas a gente só conseguiu cantar o hino do lamento, o hino do socorro. Pelo amor de Deus, alguém faz alguma coisa, tira o Brasil dessa lama, desse buraco”, desabafou Claudia.

Em entrevista à colunista Mônica Bergamo, do Jornal Folha de S.Paulo, a produtora artística deixou claro que não sabe em quem votar. “Tô completamente perdida”. Perguntada sobre Huck ela respondeu: “Tomara que ele não se eleja. Tomara que ele não queira [se candidatar]. É meu amigo, adoro. Justamente por isso eu não gostaria que ele entrasse para a política. Ele tem uma família maravilhosa, filhos. Não é fácil a vida política. Não é. Ele é um cara que faz tanto do lado de fora [da política] que pode continuar fazendo isso e deixar que os políticos se digladiem, sabe?”, declarou Claudia Raia.

A Paraíso do Tuiuti desfilou críticas sociais e políticas na primeira noite na avenida. Operários obrigados a se desdobrar denunciavam as más condições de trabalho e criticavam a reforma trabalhista. Carteiras rasgadas mostravam que muitos brasileiros vivem sem direitos no trabalho informal.

A Estação Primeira de Mangeira ironizou o corte de verbas e transformou o prefeito carioca Marcelo Crivella em Judas. "Prefeito, pecado é não brincar o Carnaval!" A Mangueira teve, de acordo com as críticas, o enredo mais comentado e aguardado do Carnaval: "Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco". A verde e rosa bateu de frente com a administração municipal, e mostrou sua indignação após o corte de verbas das escolas de samba pelo prefeito Marcelo Crivella. "A Mangueira tem muita coragem para fazer as reivindicações dela", comentou a cantora Alcione, no estúdio da Globo, após passar pela Sapucaí em um dos carros de sua escola do coração. "Levantou a bandeira do samba e passou o recado como só a Mangueira pode fazer".

A Beija-Flor deu um recado claro contra os corruptos, a intolerância, a violência. O prédio da Petrobras foi para a avenida e, quando as paredes abriam, o que se via eram as estruturas de um país desigual. O homem da mala com dinheiro sambou na nossa cara. A foto famosa da chamada gangue dos guardanapos ganhou vida na avenida. Ainda teve a ala “No Circo Brasil, o Palhaço é o Povo” e ainda carregando nas costas o peso dos impostos. Protestos contra a violência e críticas aos políticos e às questões sociais foram uma marca forte e indiscutível do Carnaval 2018.

Lamachia recebe brasileira que é parlamentar na Itália

O presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia, recebeu em audiência no dia 07 deste mês a advogada Renata Bueno, única brasileira a ocupar vaga de deputada na Itália em 2013. Desde cedo a brasiliense seguiu os passos do pai, Rubens Bueno, político paranaense, Deputado Federal pelo Partido Popular Socialista (PPS) e atualmente líder do Grupo Parlamentar Brasil-Itália. Renata é militante partidária desde os 16 anos, sempre acompanhou a vida pública de seu pai e coordenou vários projetos políticos.

A advogada foi membro da Comissão de Gestão Pública da OAB/PR, Conselheira da Diretoria do Conselho da Mulher Executiva (CME) da Associação Comercial do Paraná (ACP), é membro do Instituto dos Advogados do Paraná (IAP) e diretora da Fundação Astrogildo Pereira de Estudos Políticos (FAP). Entre as atividades desenvolvidas como vereadora em Curitiba destacou-se com o projeto “Cidadão do Futuro”, realizado mensalmente com a participação de estudantes de ensino fundamental e médio de escolas públicas e privadas. No Legislativo Municipal presidiu a Comissão Especial de Direitos Humanos da Câmara e participou das comissões de Legislação, Justiça e Redação, Especial da Copa do Mundo 2014 e foi Relatora de Revisão da Lei Orgânica de Curitiba.

Na visita ao presidente da OAB Nacional, Renata Bueno falou como funciona o Legislativo italiano e como os representantes de outros países podem participar do parlamento. Ela apresentou a Lamachia propostas para reciprocidade da advocacia entre Itália e Brasil e projetos de legislação modelo. Sua principal bandeira como deputada ítalo-brasileira foi representar os italianos que moram na América do Sul (principalmente os duplos cidadãos que vivem na circunscrição). Renata é responsável por um diálogo aberto entre Itália, Brasil e demais países da América do Sul. Ela representa legitimamente a “voz” de cada cidadão que tem na Itália suas raízes.

O encontro também contou com a presença do conselheiro federal da OAB Carlos José Santos da Silva, Paulo Henrique dos Santos Lucon, presidente do Instituto Brasileiro de Direito Processual, e Elaine Starling, conselheira da OAB-DF que também se candidata a uma vaga de deputada no país europeu agora em 2018 pelo Colégio Eleitoral da América do Sul.

Acadêmicos do Tatuapé é bicampeã do carnaval de São Paulo

Pelo segundo ano consecutivo a escola de samba Acadêmicos do Tatuapé foi a grande vencedora do carnaval de São Paulo. Com o enredo “Maranhão, os Tambores vão Ecoar na Terra da Encantaria”, a escola contou a história do Maranhão a partir das particularidades de seu povo, da riqueza cultural e das belezas naturais.

A fantasia da rainha de bateria da Acadêmicos do Tatuapé, Andréa Capitulino, custou cerca de R$ 100 mil segundo a própria musa. "É uma fantasia que tem muita pedraria, muito faisão, cristais importados, e vem representando as cores quentes do Maranhão, representando o sol, o calor daquela gente alegre, festeira", disse.

A arquitetura singular, que une o casario colonial adornado de azulejos às habitações populares típicas da capital São Luís, mereceram tratamento especial do carnavalesco da escola, o maranhense Wagner Santos. “Para mim, é uma honra muito grande falar do meu estado, porque foi uma oportunidade que a escola me deu, foi um grande presente. Dedico a todo o povo do Maranhão, estamos muito felizes. Obrigado Maranhão, obrigado São José de Ribamar por este título”, disse Wagner, que dedicou a vitória aos seus conterrâneos.

A escola da zona leste de São Paulo abusou dos adereços de fauna e flora, levou carros colossais e fantasias ricas em detalhes. Com alas compactas e desfile técnico, empolgou o público com paradinhas da bateria e uma batida reggae, estilo musical que nasceu na Jamaica e que é muito ouvido pelos maranhenses.

O presidente da Acadêmicos do Tatuapé, Eduardo Santos, disse que a vitória se deve a dedicação e esforço dos 3,2 mil componentes da escola. “O principal responsável é o nosso componente que trabalha, que ensaia e faz tudo para nós. De novo, o resultado foi muito sofrido, foi na última nota do último quesito”.

A Acadêmicos do Tatuapé surgiu em 1952, com o nome Unidos da Vila Izabel. Chegou ao terceiro lugar do carnaval em 1969 e 1970, mas em 1986 encerrou as atividades por cinco anos. Em 1991, iniciou um processo de resgate que incluiu a sucessiva promoção pelos diversos grupos do carnaval até retornar ao Grupo Especial em 2004. Caiu em 2006 e retornou à elite em 2013 para permanecer de vez. Em 2017, a agremiação havia vencido o carnaval paulistano com o enredo Mãe África Conta a Sua História: do Berço Sagrado da Humanidade à Abençoada Terra do Ouro.

A vice-campeã foi a Mocidade Alegre com um enredo sobre a cantora Alcione. Celebrando os 70 anos da “Marrom”, o samba-enredo Alcione: a Voz Marrom Que Não Deixa o Samba Morrer cantou a origem maranhense e diversas facetas da artista, como sua ligação com a escola de samba Mangueira, do Rio de Janeiro, além da participação da cantora na luta contra a ditadura. O desfile das campeãs será na sexta-feira, dia 16.

As escolas Unidos do Peruche e Independente Tricolor foram rebaixadas para o Grupo de Acesso.

 
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