Coluna Bernadete Alves - dia 20/01/2018

Lixão da Estrutural fechado: uma vitória da cidadania

Depois de quase 60 anos causando impactos sociais, ambientais e econômicos, finalmente o Lixão da Estrutural foi fechado neste sábado, uma data memorável para a dignidade e cidadania. O segundo maior lixão a céu aberto do mundo, em atividade desde a década de 1950, com 40 milhões de toneladas de resíduos, não vai mais receber os resíduos descartados pelos brasilienses. O encerramento das atividades do depósito de lixo é uma determinação do Tribunal de Justiça do DF de 2007, motivada por ação do Ministério Público. A medida atende, também, à Política Nacional de Resíduos Sólidos, publicada em 2010.

Em ato simbólico o governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, acompanhado da primeira-dama Márcia Rollemberg, colaboradora do governo, da secretária de Projetos Estratégicos, Maria de Lourdes Abadia, ex-governadora do DF, do secretário de Meio Ambiente, Igor Tokarski, da deputada distrital Luzia de Paula e da diretora-presidente do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), Kátia Campos, dentre outras autoridades, fechou o portão do lixão da Estrutural com correntes de ferro e cadeado. “Estamos fechando uma ferida cravada no coração de Brasília e do Brasil”, declarou emocionado.

Rollemberg definiu o momento como um salto civilizatório para Brasília e para o País e destacou que a medida, tomada de maneira correta, cumpre a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Com o fechamento do lixão, o Aterro Sanitário de Brasília, em Samambaia, ao lado da DF-080, entra em pleno funcionamento. Os catadores serão transferidos para cinco galpões de reciclagem com capacidade para 1,2 mil trabalhadores cada. “É uma etapa fundamental para que possamos receber resíduos de forma adequada, protegendo o meio ambiente e as pessoas”, ressaltou o governador.

O governador falou sobre a necessidade de a população estar atenta à coleta seletiva.Disse que o governo vai ampliar a coleta seletiva de lixo para aumentar a vida útil do novo aterro. “Vamos viver um novo tempo de produção e de cuidado com os resíduos”. No DF 900 catadores de material reciclável recebem uma bolsa mensal de R$ 300 para atuarem como agentes de cidadania ambiental multiplicando informações sobre gestão e educação ambiental e sustentável.

A diretora-presidente do Serviço de Limpeza Urbana, Kátia Campos, informou que a partir de agora, os resíduos que permanecem no lixão serão cobertos com terra para “facilitar a decomposição”. Segundo ela parte do aterro funcionará como ponto de descarte de entulho da construção civil até que sejam licitadas empresas para processar esses resíduos.

O lixão de Brasília fica no Setor Complementar de Indústria e Abastecimento, em uma área de 201 hectares e fica a menos de 20 quilômetros da Praça dos Três Poderes e a 12 quilômetros do Palácio do Buriti, sede do governo de Brasília. Além do mais fica próximo do Parque Nacional de Brasília, unidade de conservação e também do Córrego Cabeceira do Valo e perto do local onde agricultores produzem hortifrutigranjeiros em pequena escala.

Pessoas atraídas para o depósito de lixo em busca de sobrevivência foram chegando de várias regiões e formaram uma invasão. Ao longo das décadas, foram diversas as tentativas de retirada das ocupações ilegais, todas sem sucesso. O agrupamento de barracos foi intitulado de Invasão da Estrutural, em alusão à rodovia que margeia a área e liga a Estrada Parque Indústria e Abastecimento ao Pistão Norte, em Taguatinga. Posteriormente, já em maior amplitude, transformou-se na Vila Estrutural e passou a pertencer à região do Guará.

Em janeiro de 2004, tornou-se a sede urbana do SCIA, criado em 1989 e transformado na 25ª região administrativa do DF pela Lei Distrital nº 3.315, de 27 de janeiro de 2004. A população urbana foi estimada em 39.015 habitantes pela Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (Pdad) de 2015 da Companhia de Planejamento do Distrito Federal.

 
RocketTheme Joomla Templates