Coluna Bernadete Alves - dia 16/01/2018

Cacau corre riscos de desaparecer, alertam pesquisadores

Pesquisadores estimam que, antes de 2050, o cacau corre o risco de desaparecer em grande parte do mundo, segundo o Business Insider. É que as lavouras de cacau do maior produtor do mundo, Costa do Marfim, estão sendo devastadas por uma infestação de lagartas, de acordo com o site Modern Ghana. "Esta é a nova ameaça para o cultivo de cacau", disse um pesquisador do Centro Nacional da Costa do Marfim em entrevista ao site marfinense.

As autoridades dizem que cerca de 20.000 hectares de cacau foram devastados em algumas semanas, o equivalente a uma fração do total de campos de cacau do país.Kra Kouame, o chefe local da agricultura na cidade de Taabo, na Costa do Marfim sudeste, disse que culturas de cacau, na aldeia de Lelebele foram dizimadas em um mês. Isso ocorreu em julho de 2016. Além do problema das pragas nas plantações lá é utilizada a mão de obra infantil.

As sementes do cacau só conseguem crescer em clima específico e constante. E como as condições climáticas estão mudando em todo o mundo isto está afetando as plantações.Muitas lavouras estão sendo afetadas pela vassoura de bruxa, uma doença provocada por um fungo. Para reverter a situação, um grupo de cientistas da Universidade da Califórnia está em busca da “cura” para salvar o cacau e consequentemente o amado chocolate.

Eles trabalham em parceria com a Mars, conglomerado dono de marcas como M&M, Twix e Snickers. A grande esperança é uma tecnologia de mudança genética chamada “Crispr”. A inovação vai tentar gerar uma espécie de cacau resistente a variações climáticas e doenças. Se der certo, a técnica pode ser usada em outras plantas.

O “Crispr” já foi reconhecido como uma das maiores descobertas do século. O mecanismo permite fazer cortes precisos dentro do gene e é promessa para curar algumas doenças, como a fibrose cística – tida, hoje, como apenas tratável. A torcida dos países africanos Gana e Costa do Marfim, produtores de mais da metade da matéria prima do chocolate, é grande, assim como da indústria chocolateira. E a nossa também devido a importância do produto para o desenvolvimento da nossa economia e para a saúde das pessoas.

Estudo feito na Itália, publicado no periódico Frontiers in Nutrition, mostra que os flavonoides, presentes no cacau, melhoram aspectos cognitivos, ligados à atenção, aquisição de memórias e ao raciocínio.Os pesquisadores italianos garantem que o consumo regular de cacau, ingrediente base do chocolate, melhora a memória recente e o processamento de informações visuais.

Para chegar a este resultado eles analisaram pessoas que fizeram a dieta com chocolate pelo mesmo período (mínimo de cinco dias e máximo de três meses). Os mais velhos que consumiram o produto por mais tempo tiveram melhora na atenção, raciocínio, memória de curto prazo e dicção. Os idosos que já apresentavam prejuízos cognitivos e perda de memória tiveram os melhores resultados.

O segundo grupo que mostrou resultados mais acentuados foi o de mulheres adultas saudáveis. As funções cognitivas melhoraram consideravelmente – as dos homens também, mas menos. De acordo com a pesquisa, os flavonoides presentes no cacau ajudaram a minimizar os efeitos que a falta de sono pode causar ao cérebro. Assim, passar a noite em claro e funcionar normalmente no dia seguinte era uma tarefa menos complicada para as mulheres.Vários estudos já comprovaram os benefícios do cacau. Comer chocolate está permitido, mas em pequenas porções. Tudo em excesso faz mal à saúde!

A origem do cacau ainda é um mistério desvendado pela história. Não se sabe ao certo quem foram os primeiros povos a cultivar o fruto, mas conta à história que os Astecas, no México, e os Maias, na América Central foram os primeiros povos a cultivar o cacau. Mas, fala-se também que antes mesmos dos primeiros colonizadores espanhóis chegarem à América, o cacau já era cultivado pelos índios.

Em meados do século XVIII, o cacau tinha atingido o Sul da Bahia e, na Segunda metade do século XIX, foi levado para a África. Oficialmente, o cultivo do cacau começou no Brasil em 1679, através da Carta Régia que autorizava os colonizadores a plantá-lo em suas terras. Os botânicos acreditam que o cacau é originário das cabeceiras do rio Amazonas, tendo-se expandido em duas direções principais, originando três grupos importantes: Criollo, Forastero e Trinitário.

O cacau foi ganhando importância econômica com a expansão do consumo de chocolate, e com isso várias tentativas foram feitas visando à implementação da lavoura cacaueira em outras regiões com condições de clima e solo semelhantes às de origem. E assim, suas sementes foram se disseminando gradualmente pelo mundo.

No Brasil, o cacaueiro se deu bem no clima da Bahia, principal estado produtor da espécie. A produção de cacau cresceu no Brasil no último ano e deve chegar a 274 mil toneladas em 2017, 28% a mais que a safra de 2016. Os dados são do IBGE. O aumento se deve principalmente ao clima mais favorável nos últimos seis meses.

Cerca de 60 mil agricultores se dedicam à cultura do cacau no Brasil. Bahia é o estado que mais produz o fruto no país, sendo responsável por 54% da safra. Em segundo lugar, fica o Pará, com 40% da safra. A fruta tem importância histórica para o desenvolvimento brasileiro. É chamado de fruto de ouro.

O cacaueiro tem folhas longas que nascem avermelhadas e logo ficam de um verde intenso, medindo até 30 cm. Seus frutos também podem medir até 30 cm de comprimento, apresentando coloração verde, vermelha ou amarronzada, cores que tendem ao amarelo, quando amadurecidos. No interior do fruto são encontradas de 20 a 50 sementes recobertas por uma polpa branca e adocicada, fixadas e uma placenta com as mesmas características. A flor do cacau tem cinco pétalas e é polinizada por pequenos insetos, ao longo de todo o ano. Entre a polinização e o amadurecimento do fruto decorrem cerca de 180 dias.

O cacaueiro sempre foi cultivado para aproveitar apenas as sementes de seus frutos, que são a matéria-prima da indústria chocolateira. Mas, do fruto do cacaueiro é possível extrair outros subprodutos, já comum a industrialização como o suco de cacau, a partir da extração da sua polpa.

O suco de cacau possui sabor bem característico, considerado exótico e muito agradável ao paladar, assemelhando-se ao suco de outras frutas tropicais como o caju. É fibroso e rico em açúcares (glicose, frutose e sacarose) e também em pectina. Algumas das substâncias que compõem o suco de cacau lhe conferem uma alta viscosidade e aspecto pastoso.

Com esta mesma polpa de cacau pode fazer ainda geléias, destilados finos, fermentados - a exemplo do vinho e do vinagre - e xaropes para confeito, além de néctares, sorvetes, doces e uso para iogurtes.

A casca do fruto do cacaueiro, também pode ter aproveitamento econômico. Ela serve para alimentar bovino, tanto in natura como na forma de farinha de casca seca ou de silagem, como também para suínos, aves e até peixes. A casca do fruto do cacaueiro pode ainda ser utilizada na produção de biogás e biofertilizante, no processo de compostagem ou vermicompostagem, na obtenção de proteína microbiana ou unicelular, na produção de álcool e na extração de pectina. Uma tonelada de cacau seco produz oito toneladas de casca fresca.

A árvore alcança 6 metros e tem flores brancas perfumadas, que lembram orquídeas e surgem em cachos direto do tronco. As sementes precisam de sol pleno e solo fértil para se desenvolver. Caso contrário morre por fungos. A árvore leva três anos para produzir os primeiros frutos.

 
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