Coluna Bernadete Alves - dia 14/01/2018

Protesto contra assedio e diversidade repercute no mundo

O elegante Hotel Beverly Hilton não foi só o palco para a primeira grande premiação desde a onda de denúncias de assédio sexual que abalou Hollywood no ano passado. As celebridades que chegaram ao tapete vermelho do Globo de Ouro 2018 demonstraram por meio da moda o quanto estavam indignadas com o desrespeito as mulheres.

Atrizes apareceram em peso trajando preto e acompanhadas de ativistas pelos direitos das mulheres. Foi um protesto simbólico, mas eficiente, contra assédio sexual. Até mesmo os homens demonstraram seu apoio à causa, vestindo cores escuras e carregando discretos adesivos com a inscrição Time's Up, o nome do movimento criado por atrizes de Hollywood para combater agressão sexual.

Debra Messing, da série Will & Grace, disse que estava de preto para agradecer e honrar todas as pessoas que enfrentam o assédio e a luta pela igualdade de direitos. “Também tem a ver com outros temas, como a luta por diversidade e salários iguais. Isso pode mudar manhã. Temos que nos unir e lutar para ter os mesmos direitos.” A atriz ainda mandou uma mensagem ao canal E!, que a entrevistava no tapete vermelho. “Sei que as mulheres ganham menos que os homens na emissora, fiquei chocada”, disse. O canal, aliás, nome tradicional em premiações, mudou a abordagem e não perguntou às mulheres qual grife e joias elas usavam na noite.

Meryl Strepp chegou acompanhada de Ai-jen Poo, diretora da National Domestic Workers Alliance, que atua em prol dos direitos dos trabalhadores domésticos, que tem desempenhado um importante papel contra abusos. “O assédio está em todas as partes, não só na indústria do cinema e queremos mudar isso. Nos sentimos mais responsáveis”.

Atrizes e ativistas receberam o apoio dos atores e também do elenco infanto-juvenil. Todos unidos em prol do combate as injustiças contra a vida e o trabalho das mulheres. Aderiram a causa as consagradas estrelas Penelope Cruz, Angelina Jolie, Catherine Zeta-Jones, Elizabeth Moss, Viola Davis e o marido Julius Tennon, Reese Witherspoon, Sharon Stone, Anna Eberstein, Paulette e o marido Denzel Washington, Mariah Carey Dakota Johnson, Rachel Brosnahan, indicada pela série The Marvelous Mrs. Maisel, a cantora Kelly Clarkson e a apresentadora de TV e produtora Oprah Winfrey.

Muitas mulheres e homens estão usando preto em apoio ao movimento contra o assédio sexual. Uma iniciativa muito importante que despertou o apoio de todo o elenco infanto-juvenil da popular série Stranger Things, que ainda lançou mão de um broche em prol do movimento Time’s Up.

A edição do Globo de Ouro 2018 mostrou mulheres decididas que lutam por seus direitos e que demonstraram seus descontentamentos por meio da moda. Mesmo de preto estavam alegres, sensuais e seguras da sua elegância.

As mulheres merecem ser levadas a serio e respeitadas na vida pessoal e profissional não só quando protestam, mas sempre. É nosso dever demonstrar sempre a nossa intolerância em relação a este desrespeito que machuca tanto física quanto emocionalmente.

A educação é uma forma de enfrentar o machismo desde cedo e combatê-lo. Através dela, é possível desconstruir a ideia de que meninos tem que ser garanhões, dominadores e meninas tem que ser quietas e passivas. Desde a infância é necessário ensinar noções de consentimento para crianças. Isso ajuda a criança a identificar a violência, caso aconteça com ela e também a evitar que elas cresçam sem noção sobre os limites do outro.

A educação sexual deve ser voltada a ensinar não só sobre prevenção de gravidez e doenças sexualmente transmissíveis, ela deve ensinar também noções de consentimento e a identificar a violência sexual. É preciso parar de naturalizar comportamentos.

Uma mulher acompanhada de um homem é vista como propriedade dele, disponível para ele. Uma mulher sozinha é vista como disponível para todos. Isso é desumanização. Mulheres tem direito a dizer não, mesmo solteiras, casadas ou desacompanhadas. O NÃO deve ser respeitado sempre.

Dividir as mulheres em grupos se baseando no comportamento delas é uma forma de perpetuar a ideia de que algumas mulheres merecem sofrer violência sexual ou que as personalidades e hábitos das vítimas sejam vistos como justificativa pela violência que sofreram. Todas as mulheres merecem respeito. Chega de revitimização no atendimento na delegacia e no hospital, no judiciário, nas falas da sociedade e nas notícias sobre os casos. A desigualdade entre homens e mulheres precisa ser algo combatido por todos nós.

 
RocketTheme Joomla Templates