Coluna Bernadete Alves - dia 06/01/2018

Dia da Gratidão e Dia de Reis Magos

Seis de janeiro é comemorado o Dia de Reis e também Dia da Gratidão. Esse é um dia dedicado ao agradecimento, dia de expressar gratidão por tudo o que somos e temos, por tudo de bom que nos acontece e pelos desafios com os quais nos deparamos. Agradecer é um exercício que nos traz muitos benefícios, pois desperta em cada um de nós uma atitude positiva com relação à vida e que nos fortalece para os momentos de dificuldades.

Há 2018 anos, quando os três reis magos Gaspar, Baltazar e Melchior ou Belchior, chegaram ao menino Jesus levando ouro, incenso e mirra como presentes. Assim, foi decretado o fim da Epifânia (período que começou no nascimento de Cristo) e determinado que, todo 6 de janeiro, seria o Dia de Reis.

Na tradição cristã este foi o dia em que os três reis magos levaram presentes a Jesus Cristo. Cada um dos reis magos saiu de sua localidade de origem, ao contrário do que pensamos - que viajaram juntos. O presente do rei Gaspar, que partiu da Índia, foi o incenso, como alusão à sua divindade. Os incensos são queimados há milhões de anos para aromatizar os ambientes, espantando insetos e energias negativas, além de representar a fé, a espiritualidade.

Baltazar saiu da África, levando para o menino mirra, um presente ofertado aos profetas. A mirra é um arbusto originário daquele país, onde é extraída uma resina para preparação de medicamentos. A mirra representa a purificação e limpeza do espírito. Melchior ou Belchior partiu da Europa, levando ouro ao Messias, rei dos reis. O ouro simbolizava a nobreza e era oferecido apenas aos deuses. Também representa riquezas e poder material.

O nome deles já representam a importância do acontecimento: Gaspar significa “aquele que vai inspecionar”, Belchior, “meu rei é luz”, e Baltazar, “Deus manifesta o rei”. Pretendia-se que eles representassem os reis de todo o mundo, então cada um era de uma etnia e idade diferente.

Em homenagem aos reis magos, os católicos realizam a folia de reis, que se inicia em 24 de dezembro, véspera do nascimento de Jesus, indo até o dia 06 de janeiro, dia em que encontraram o menino. A folia de reis é de origem portuguesa e foi trazida para o Brasil por esses povos na época da colonização.

Dos presentes dos Reis Magos é que surge a tradição de troca de presentes no Natal ou fim de ano. Vamos aproveitar o Dia de Reis para pedir suas bênçãos e boas energias por meio de simpatias e oração.

Esta simpatia é para trazer muito amor, dinheiro, paz no seu lar e ter alívio de qualquer sofrimento. Escreva com lápis, no batente superior da porta da entrada de sua casa, os nomes dos Reis Magos: Baltazar, Belquior e Gaspar, um ao lado do outro. Mentalize: "Assim como trouxeram tanta luz para nosso Mestre Jesus, que tragam boas energias para casa, protegendo todos os meus familiares. Amém."

O Dia de Reis Magos e Dia da Gratidão, ambas as datas convergem para o agradecimento e a graça, duas palavras com a mesma origem em ‘gratia’, do latim, e que, dependendo da espiritualidade de quem interpreta, ganham conotações religiosas. Na era dos memes de internet, porém, a #gratidão (hashtag gratidão, na tradução livre do internetês) virou uma espécie de assinatura para postagens harmônicas e bem intencionadas, muitas vezes relacionadas a bem estar mental.

O bom humor dos usuários de redes sociais ainda fez surgir variações como #gratiluz e #gratitude, que é a palavra traduzida para o inglês, mas se tornou uma versão abrasileirada do termo. No âmbito mais sério, o emprego da palavra e do conceito da gratidão inspirou e ainda inspira movimentos e iniciativas artísticas.

Luto na literatura com a morte de Carlos Heitor Cony

É com pesar que registro o falecimento do consagrado jornalista e escritor Carlos Heitor Cony ocorrido na noite de ontem, aos 91 anos, de falência de múltiplos órgãos. Cony estava internado no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro. Ele era casado com Beatriz Lajta e deixa três filhos: Regina, Verônica e André. O corpo do escritor será cremado no Memorial do Carmo, no Rio, na tarde da próxima terça-feira, dia 9. O imortal da Academia Brasileira de Letras deixa uma vasta produção de romances, contos e crônicas ao longo de sua carreira.

Carlos Heitor Cony nasceu em 14 de março de 1926, no Rio de Janeiro. Era filho do jornalista Ernesto Cony Filho de Julieta Moraes Cony. Iniciou sua vida profissional como jornalista em 1952 no Jornal do Brasil e passou por diversas redações, incluindo dos jornais Correio da Manhã e Folha de S. Paulo. Na literatura estreou em 1958 com “O Ventre”, seguido de “A Verdade de Cada Dia” e “Tijolo de Segurança”.

Foi preso diversas vezes durante o golpe militar de 1964 e chegou a refugiar-se na Europa e em Cuba. Na volta ao Brasil, entrou para a Manchete, onde atuou também no departamento de teledramaturgia, participando de projetos como as novelas A Marquesa de Santos e Dona Beja. Publicou diversos contos, crônicas, peças de teatro e 17 romances.Com o livro ‘O Ato e o Fato’ ele enfrentou a ditadura e mostrou que era possível resistir escrevendo.

Testemunha ocular dos tempos sombrios da ditadura, Cony ajudou as gerações a amar a liberdade e lutar pela democracia. Com militância intelectual, política e sólida formação teólogica, Cony se tornou um dos principais pensadores nacionais.

Ficou anos sem publicar obras literárias até que em 1995 ressurgiu com “Quase Memória”, romance forte e tocante, e a ela permaneceu fiel até o fim, deixando sua marca não só na ficção como na crônica. O “Quase Memória”,vendeu mais de 400 mil cópias, e “O Piano e a Orquestra”, obras que renderam a ele o Prêmio Jabuti.

Vencedor de três prêmio Jabuti, Cony foi eleito membro da Academia Brasileira de Letras em maio de 2000, na sucessão de Herberto Sales. Ele foi o quinto ocupante da Cadeira nº 3, Machado de Assis. Cony conquistou o Jabuti com os títulos Quase Memória, em 1996, A Casa do Poeta Trágico, em 1997 e Romance sem Palavras, em 2000. Ele também conquistou o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto da obra, quatro anos antes de se tornar um imortal.

Foi colunista da Folha de São Paulo e comentarista de rádio, função que exerceu até o fim da vida, na CBN. Uma perda irreparável!

 
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