Coluna Bernadete Alves - dia 17/11/2017

Jogos Escolares da Juventude – um exercício de cidadania

Organizados pelo Comitê Olímpico do Brasil desde 2005, os Jogos Escolares da Juventude são o maior celeiro de talentos olímpicos do País. A competição estudantil revela, a cada ano, novos nomes para o esporte. Em 2017 não será diferente. A etapa de Brasília, aberta ontem em cerimônia no Ginásio Nilson Nelson, reúne alunos-atletas das 27 unidades da Federação e também competidores do Japão, que vieram conhecer o torneio estudantil. Até o dia 25 deste mês, 3.938 estudantes atletas de 15 a 17 anos, de várias partes do Brasil.

A cerimônia foi aberta com as apresentações da Academia de Dança Bailacci e do grupo Tribo Companhia de Dança. Na sequência, os atletas participantes dos Jogos Escolares iniciaram o tradicional desfile das delegações e bandeiras dos 27 Estados brasileiros. Uma equipe com seis atletas japoneses também desfilou. Anfitriã da competição, a delegação do Distrito Federal foi a última a desfilar. Com a quadra lotada, foi a vez do grupo brasiliense Patubatê executar o Hino Nacional com uma mistura animada de percussão e música eletrônica.

Após o Hino, coube a jovem Ana Luiza Pereira França fazer o juramento do atleta. Ana Luiza já participou de quatro edições dos Jogos Escolares e conquistou uma medalha de ouro e duas de prata na luta olímpica. Já o juramento do árbitro foi realizado por Florenilson Itacaramby de Almeida, que tem 15 anos de experiência como árbitro do atletismo e vários eventos nacionais e internacionais no currículo.

A abertura dos Jogos Escolares foi oficializada com o revezamento da tocha, a mesma utilizada no revezamento da Olimpíada do Rio 2016, que passou pelas mãos de atletas embaixadores convidados pelo COB. Coube ao marchador brasiliense Caio Bonfim começar o revezamento, que passou pelas mãos dos outros embaixadores Emanuel Rêgo (vôlei de praia), Érika Miranda (judô), Fabiana Silva (badminton), Francielly Pereira (ginástica rítmica), Henrique Avancini (ciclismo), Hugo Hoyama (tênis de mesa), Joanna Maranhão (natação), Laís Nunes (lutas),Vanderlei Cordeiro de Lima (atletismo). No final, coube à judoca brasiliense, Érika Miranda, acender a pira dos Jogos Escolares da Juventude. O COB convidou os campeões olímpicos e pan-americanos para trocar experiências e ajudarem atletas que estão em Brasília para a disputa da maior competição escolar do país.

Coube ao governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg, declarar aberta a maior competição escolar do Brasil e desejar êxito para as equipes. “É uma oportunidade de revelação de talentos do esporte. Depois de 11 anos que esse evento não era realizado em Brasília, convido vocês a conhecer a nossa cidade que é Patrimônio Cultural da Humanidade e desejo muito sucesso para vocês.”

Rogério Sampaio, secretário nacional de Esporte de Alto Rendimento, do Ministério do Esporte, disse que os Jogos Escolares da Juventude conseguem promover a união entre esporte e educação.“O esporte na escola não precisa ser apenas educacional, ele pode ser muito bem visto no alto rendimento. Acreditamos que muitos atletas que vão nos representar em campeonatos internacionais no futuro estarão presentes neste evento”, disse o campeão olímpico de judô (Barcelona, 1992).

Paulo Wanderley Teixeira, presidente do Comitê Olímpico do Brasil, reforçou a importância da competição estudantil como uma marca forte no esporte brasileiro. “Tenho certeza de que na Olimpíada de 2020 verei alguns desses atletas aqui presentes. E em 2024, na França, verei muito mais.”

A secretária de Esporte, Turismo e Lazer, Leila Barros, ex-campeã olímpica e atleta oriunda dos Jogos Escolares, diz que os jogos são a base do desporto nacional e um presente para o desporto escolar da cidade. Muitos desses jovens sonham um dia vestirem a camisa do Brasil. A interação e os valores esportivos e olímpicos estão incluídos na formação do atleta desde muito jovem”, declara Leila. Para Vanderlei Cordeiro de Lima, bronze nas Olimpíadas de Atenas, na Grécia, os Jogos Escolares são a maior oportunidade que eles têm na vida. “Eles têm que alimentar o sonho de se tornarem um grande atleta no futuro”, diz.

Participam dos Jogos Escolares da Juventude, etapa Brasília, 3.938 atletas, de 1.360 escolas de 444 cidades representando todos os estados Brasileiros, 533 professores, 430 árbitros, 320 voluntários e 137 dirigentes. 14 modalidades estarão em disputa: atletismo, badminton, basquete, ciclismo, futsal, ginástica rítmica, handebol, judô, lutas, natação, tênis de mesa, vôlei, vôlei de praia e xadrez. A competição ocorrerá em 21 espaços. O Centro Integrado de Educação Física (Cief), na 907 Sul, por exemplo, receberá handebol e atletismo. O Parque da Cidade, vôlei de praia. O Complexo Aquático Cláudio Coutinho terá natação, e o Ginásio do Cruzeiro, ginástica rítmica.

O Ginásio Nilson Nelson vai ser usado para jogos de handebol, assim como o Centro de Capacitação Física do Corpo de Bombeiros. O Centro de Convenções Ulysses Guimarães vai abrigar o judô, a luta olímpica, o handebol e o xadrez, funcionará como um centro de convivência, onde os atletas poderão acompanhar apresentações culturais, palestras e o pódio para premiações. No local ainda haverá uma biblioteca. Os Hospitais de Base e o Regional da Asa Norte serão referência durante a competição.

Os dois brasilienses escolhidos como embaixadores pelo COB já participaram dos jogos escolares e sabem da importância da competição para os futuros atletas. A judoca Érika Miranda, foi campeã pan-americana em 2015 e tem duas participações em olimpíadas, e Caio Bonfim, é recordista brasileiro nos 20km e 50km na marcha atlética, com participação em duas olimpíadas.

“É fantástico poder fazer parte deste momento. Este é um evento que dá oportunidade para os jovens. Eu participei dos jogos em 2003, quando tinha 12 anos, fiquei em décimo lugar. Lembro que cheguei em casa com muito orgulho da minha colocação, com a sensação de ser um atleta. Foi ali que defini "é isso que que eu quero para mim". É uma preparação importantíssima para o futuro do atleta. Aqui é uma grande oportunidade para ter essa vivência. É uma honra estar presente aqui, na minha cidade, e estar como embaixador”, declara Caio Bonfim.

“É um prazer está aqui como uma das embaixadoras dos jogos escolares, ainda mais na minha cidade. Essa competição é de suma importância para os novos talentos que vão surgir no esporte brasileiro. Eu participei dos jogos e foi muito importante na minha carreira, e com certeza vai ser importante para os jovens que estão participando. Vou estar acompanhando todos os dias as competições. Espero dar um pouquinho da minha experiência para os atletas e passar que isso é possível. Daqui alguns anos, vamos estar na televisão vendo os novos talentos que estão aqui”, disse Érika Miranda.

O encerramento da cerimônia foi um verdadeiro show de rock comandado pela banda Scalene, vencedora do Grammy Latino de melhor álbum de rock em língua portuguesa.

Os jogos são mais que a formação de superatletas. O esporte forma para a vida. Os Jogos Escolares da Juventude é também uma vitrine para os jovens se destacarem para o Brasil e o mundo.

 
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