Coluna Bernadete Alves - dia 30/09/2017

Centenário de Chacrinha, o eterno Guerreiro

O maior comunicador do Brasil, José Abelardo Barbosa de Medeiros, nasceu em Surubim-PE em 30 de setembro de 1917 e completaria hoje 100 Anos. O saudoso Chacrinha, conhecido como o Velho Guerreiro ficou conhecido com o bordão "Quem não se comunica se trumbica!". Faleceu em 30 de junho de 1988 de infarto do miocárdio e insuficiência respiratória em decorrência de um câncer de pulmão. Seu legado vive até hoje.

Abelardo Barbosa ficou conhecido como o Velho Guerreiro, graças à homenagem feita por Gilberto Gil na canção Aquele Abraço, o apresentador começou a ficar conhecido com um programa de músicas de Carnaval que lançou em 1943 na Rádio Fluminense: Rei Momo na Chacrinha, de onde veio a alcunha que o tornaria conhecido em todo o país.

O “Cassino do Chacrinha”, foi exibido nas tardes de sábado na Globo de 1982 a 1988. O programa de auditório tinha cenário original com bacalhaus e mandiocas jogados para a plateia, os figurinos justos e curtos eram características marcantes das Chacretes, assim como o “Troféu Abacaxi”. Durante todo o programa, Chacrinha puxava marchinhas de carnaval e brincava com a plateia e com os jurados. Em pouco tempo tornou-se sensação nacional.

O ícone de humor perspicaz que se tornou conhecido país afora e foi considerado o maior comunicador do Brasil, teve muitos seguidores. A imagem alegre e brincalhona que marcaram o personagem no rádio e na televisão escondia uma depressão.

No dia 06 deste mês o canal Viva homenageou Abelardo Barbosa com o especial “Chacrinha, o eterno guerreiro”, realizado em parceria com a Rede Globo. Com direção artística de Rafael Dragaud e direção geral de Daniela Gleiser, a atração foi estrelada por Stepan Nercessian, que enverga o Velho Guerreiro desde 2014 no espetáculo “Chacrinha, o musical”.

Compra de seguidores cria “celebridade” nas redes sociais

Relatório da empresa de segurança Trend Micro mostra que é possível comprar seguidores, likes, e comentários e se transformar em uma celebridade da noite para o dia. Para isso basta desembolsar cerca de 8.000 reais (2.600 dólares) e ter 300 mil seguidores no mercado chinês.Com esses acessos o perfil passa a ser classificado como de sucesso pelas redes sociais e a pessoa como influenciadora.

Entre os países que comercializam curtidas, comentários e seguidores, a China é a nação que mais se destaca. O especialista em segurança da Trend Micro, Igor Valoto, fala da tática chinesa, conhecida como ‘fazendas chinesas’ que podem operar mais de 10.000 celulares ao mesmo tempo. “Eles pegam diversos celulares e colocam os funcionários para interagir com os aparelhos para conseguir relevância manualmente porque uma conta automatizada pode ser detectada pelos algoritmos, é uma das brechas que existe”.

Na Índia também se instalam fazendas para a comercialização de curtidas, comentários e seguidores. Na Rússia, a venda desse serviço acontece no centro comercial Okhotny Ryad, em Moscou, onde uma máquina automática comercializa curtidas e seguidores. Os influenciadores são vistos como líderes, especialistas e parceiros eficazes para espalhar a mensagem e gerar negócios.

Igor Valoto diz que no Brasil ainda não existe máquinas de autoatendimento e nem fazendas mas não descarta essa possibilidade para o futuro. “Com certeza esse mercado vai se expandir e será cada vez mais comum. As pessoas estão bastante ligadas na relevância”. No momento o mercado brasileiro oferece outras opções.

O Brasil Liker afirma trabalhar com perfis reais do mundo todo, inclusive brasileiros. O serviço pode incluir curtidas, seguidores e visualizações em vídeos – há também pacotes semanais e mensais para Facebook, Instagram, YouTube e Twitter. O pacote mais barato é o de curtidas (para Facebook e Instagram) – a partir de 7,99 reais dá para comprar 100 curtidas. Outra empresa brasileira, o Suba.Me, tem serviços para Facebook, Instagram, YouTube e Twitter. Diferentemente do Brasil Liker, o site oferece curtidas para todas as redes sociais. No Twitter, o pacote mais barato com 1.000 curtidas sai por 57 reais.

Como esse mercado de compras está em expansão, o Centro Universitário Brasileiro - Unibra , no Recife, pretende trabalhar com a área de digital influencer . Para tanto está oferecendo um curso para formar líderes digitais. O ensino de dois anos engloba aulas de inglês comercial, modelagem e estética visual e até economia.

O professor e coordenador de MBA em Marketing Digital na Fundação Getulio Vargas , André Miceli, em entrevista a revista Veja, disse que a compra de seguidores é uma forma de enganar o algoritmo, que determina a relevância de cada perfil com base em seu conteúdo e atividade na rede social. “Essas pessoas veem a compra como um investimento. Elas querem mais seguidores, curtidas e visualizações, porque quanto mais engajamento, supostamente mais você vale para as marcas”. O professor da FGV diz que isso acontece porque as empresas precisam de volume para veicular suas propagandas. “As marcas precisam de números que impressionem”.

Micelli conta que os compradores de likes utilizam sua relevância nas redes sociais para fechar parcerias e patrocínios com as empresas e até com o setor público. Normalmente, essa importância é medida pela quantidade de seguidores e curtidas em postagens. Para a marca, a vantagem é associar seu nome a um perfil que tem capacidade de influenciar a opinião de dentro de determinados grupos. “As marcas deixam de atirar de metralhadora para ser um sniper, que tem um rifle de alta precisão”, diz Miceli.

O CEO da Tracto Content Marketing, Cassio Politi, acredita que diante desta realidade as marcas precisam reavaliar a forma de medir a importância desses influenciadores. “As marcas estão avaliando o peso do influenciador digital pelos números, e não pela influência em si, que é a capacidade que eles tem de fazer uma mensagem seguir a diante”, afirmou. Politi afirma que as empresas erram ao olhar apenas para o número de seguidores, que pode ser facilmente manipulado. “Me assusta alguém tomar uma decisão assim, porque eles não olham a ressonância que aquela pessoa pode ter e sim para o número mais fácil e superficial que tem”.

Comprar seguidores, likes, e comentários comprova que a cada dia mais pessoas trocam o “ser” pelo “parecer”.Vivem uma vida de aparências não só no padrão de consumo, mesmo sem poder, como até nas redes sociais. Fazem de tudo para ter a aprovação de terceiros mesmo que para isso seja necessário “ maquiar” a realidade.

 
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