Coluna Bernadete Alves - dia 27/07/2017

Festival Latinidades chega a 10ª Edição

Com o objetivo de fomentar o debate contra o racismo e pelo empoderamento da mulher negra, foi criado o Latinidades, o maior festival de mulheres negras da América Latina. De hoje a 30 deste mês, Brasília recebe a 10ª edição do evento, com programação especial para marcar a primeira década de vida do projeto que se dedica a valorizar a cultura e a memória de mulheres negras.

A 10ª edição do Latinidades que começa nesta quinta-feira, conta com a realização da Griô Produções, Instituto Afrolatinas, parceria da Oxfam Brasil, British Council e apoio da Organização das Nações Unidas, Fundação Cultural Palmares, Fundo Baobá, IFB Estrutural, Contag e Sinpro DF. O público vai participar de mesas-redondas, lançamentos de livros, desfile de moda, cinema e até comédia stand-up.

Com o tema “Horizontes de liberdade: afrofuturismo nas asas da Sankofa”, o festival vai promover encontros que dão visibilidade para a produção artística, cultural, política e intelectual de mulheres negras em todo o mundo. “A gente acredita que este é um projeto transformador. São 10 anos pela valorização da mulher negra. Pela garra e pelo amor, a gente resolveu manter o festival mesmo com esse cenário financeiro”, disse uma das organizadoras, Bruna Pereira.

“Sankofa”, que simboliza o resgate ao passado, vai debater a memória, as miragens do futuro no presente, o ativismo das mulheres negras, a participação delas na ciência e tecnologia, a moda e a estética. Bruna diz que a ideia é usar os conceitos de ‘afrofuturismo’ e ‘Sankofa’ para pensar em utopias, sonhos e horizontes de luta das mulheres negras.

Ao longo dos últimos anos, mais de 200 mil pessoas passaram pelo Latinidades e cerca de 100 artistas, entre nacionais e internacionais se apresentaram. Seu diferencial, além da quantidade de estados e países envolvidos, diz respeito tanto ao seu caráter cultural quanto ao formativo.

Amanhã dia 28 a programação começa às 10h com a Oficina Utopias Coletivas e Projetos Futuros, no auditório menor do Museu Nacional.Apresentação: Nátaly Neri (SP) e Mediação: Lúcia Xavier (RJ). Depois tem Cine Afrolatinas das 14h às 15h, no mesmo local. Rainha (2016, 30 min), de Sabrina Fidalgo e Beatitude (2015, 15 min), de Délio Freire. No auditório principal do Museu Nacional , das 15h às 17 horas, tem Ciência, Tecnologia e Projetos de Transformação Social com Buh D’Angelo (SP), Brenda Costa (BA) e Silvana Bahia (RJ). Debatedora: Katemari Rosa (RS).

O Festival Latinidades recebe às 17 horas no Espaço Literário, a segunda edição do palavra preta, festival de música e poesia voltado para autoras negras. Local: auditório principal do Museu Nacional. Às 19 horas em parceria com o projeto Vidas Refugiadas, no auditório do Museu Nacional, tem Diálogos Transatlânticos com María Ileana Faguaga Iglesias ( Cuba) e Nkechinyere Jonathan ( Nigéria). Mediação: Aline Maia (RJ).

No sábado, dia 29 haverá uma mesa-redonda para debater a moda preta com a idealizadora do África Plus Size Brasil, Luciane Barros, a sócia-fundadora e estilista da Xongani – ateliê de moda afro-brasileira –, Ana Paula Xongani, a youtuber Nátaly Neri e a influenciadora baiana Magá Moura. "Valorizamos os corpos das mulheres pretas e gordas", diz Luciane Barros, que usa a diversidade em suas produções.

Às 19h o Museu Nacional servirá de palco para a produção de designers e estilistas negras/os com três desfiles imperdíveis que apresentam coleções inéditas de Pinto Música (Moçambique), Rogue Wave (Angola) e África Plus Size Brasil (SP). Entre 21h e 22h30, a jornalista baiana Maíra Azevedo vai apresentar a comédia stand up "Tia Má Com a Língua Solta". No espetáculo, ela brinca com situações cotidianas e aborda racismo, machismo e relações amorosas por meio do humor.

O Latinidades encerra no domingo com uma grande festa com apresentação do duo nova-iorquino de hip-hop Oshun, formado pelas cantoras Niambi Sala e Thandiwe, pela primeira vez no Brasil na festa-show. A dupla categoriza o seu som como “Iya-Sol”, uma mistura de neo-soul, hip-hop e “espiritual”. Em suas músicas, as duas costumam reunir uma série de elementos yorubás e temas caros à religiões de matriz africana, como racismo, ancestralidade e política.

A segunda atração internacional será a cantora Madina Vaz (MZ), mais conhecida como ZAV, que traz de Moçambique uma deliciosa mistura de ritmos como marrabenta, pandza, ghetto zouk e kizomba. Para encerrar a brasiliense Debora Carvalho, conhecida como DJ Donna, famosa nas pistas da capital há 15 anos por seus sets de rap, miami bass, break beat, afro house e samba rock.

As atrações acontecem no Outro Calaf, no Setor Bancário Sul, próximo à Rodoviária do Plano Piloto, no domingo, às 18h. Neste evento o publico terá que pagar R$ 30 pelo ingresso. Para mais informações e entrevistas, (61) 98175-6772, Este endereço de e-mail está protegido contra SpamBots. Você precisa ter o JavaScript habilitado para vê-lo. .

Cientistas chineses clonam “supercão” e reacende debate sobre eugenia

Criado em laboratório, o filhote “mutante” foi considerado um sucesso e ficou conhecido no mundo todo, já que, de acordo com David King, diretor do Human Genetics Alert (HGA), explicou ao portal "Express", é muito difícil conseguir clonar um cachorro. O pequeno Long Long, da raça Beagle, é um exemplo recente do desenvolvimento da engenharia genética. David King declarou que tem um certo receio do desenvolvimento desta tecnologia chinesa. “Ela mostra que estamos a poucos passos de conseguir alterar a genética humana – e caminhar rumo à eugenia”.

Para que o filhote pudesse nascer, os cientistas modificaram o código genético de 65 embriões, dentre os quais 27 nasceram. Ele, no entanto, é o único "supercão", já que os cientistas retiraram do seu DNA o gene responsável pela síntese da proteína miostatina – responsável por controlar o crescimento muscular. Ou seja, Long Long terá o dobro da massa muscular de um beagle normal, e provavelmente, será muito mais rápido e forte do que os seus irmãos.

Por mais que os pesquisadores expliquem que os testes são realizados para auxiliar, futuramente, pesquisas médicas sobre doenças como o Mal de Parkinson, alguns cientistas estão preocupados com tais avanços da engenharia genética, especialmente porque o genoma canino é muito parecido com o DNA dos seres humanos.

Desde que os cientistas clonar o primeiro animal, a ovelha Dolly, em 1996 , foram desenvolvidas tecnologias cada vez mais avançadas em termos de engenharia genética em várias partes do mundo. A clonagem de animais é polêmica e levanta debates sobre bioética, responsabilidade científica, eugenia e muitas outras praticas para a seleção genética.

Enquanto um segmento da comunidade científica debate os aspectos morais de um “animal mutante”, outras avançam nas técnicas de clonagem e modificam o código genético de diversas espécies.O termo, que significa “bem nascido”, designa uma série de possíveis práticas para determinar as características de um ser humano por meio da seleção genética, e assim, “melhorar” a espécie.

Para os cientistas, Hitler pode ser considerado um eugenista, pois acreditava e agia em prol da “raça ariana”, limitada a pessoas com a pele, olhos e cabelos claros. O líder alemão usava campos de concentração para exterminar aqueles que não se encaixavam nas características arianas, e, hoje em dia, a engenharia genética pode ser uma forma mais sutil de colocar a eugenia em prática.

David King, diretor do Human Genetics Alert, explicou ao portal que a eugenia já é uma realidade nos Estados Unidos, onde mulheres “bonitas e inteligentes” recebem propostas para vender seus ovários, de forma que seu código genético seria escolhido em detrimento de outros para perpetuar determinadas características. Vale a pena pontuar que, dentro de sociedades racistas, a possibilidade de escolher como seu filho será, física e intelectualmente, pode significar uma exclusão social ainda maior daqueles que fogem dos padrões, além da diminuir, a longo prazo, a existência de tais atributos na população.

Para os cientistas, a criação do “cachorro mutante” pode significar, além do desenvolvimento de técnicas científicas para questões médicas, uma oportunidade para práticas de seleção de características humanas se estabelecerem na sociedade. Isso é muito preocupante.

 
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