Coluna Bernadete Alves - dia 22/07/2017

Eliminar a Dengue: Desafio Brasil, é tema da 69ª reunião da SBPC

O projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil, trazido para o Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz, com o apoio do Ministério da Saúde, é um dos trabalhos científicos apresentados na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, que acontece em Belo Horizonte, Minas Gerais. O projeto inovador Eliminar a Dengue: Nosso Desafio (Eliminate Dengue: Our Challenge), surgiu na Austrália em 2011 e usa a bactéria Wolbachia para reduzir a transmissão da dengue, da zika e da febre chikungunya.

A bactéria Wolbachia é retirada da mosca da fruta e inoculada no ovo do Aedes aegypti para que o mosquito se desenvolva com a Wolbachia em seu organismo de forma intracelular. Os mosquitos modificados são liberados no ambiente e, com o tempo, a população de insetos é naturalmente substituída, de forma gradual, pelos que não têm condição de transmitir os vírus. A fêmea que possui a Wolbachia em seu organismo irá transmiti-la a todos os seus descendentes, mesmo que se acasale com machos sem a bactéria. Além disso, quando apenas o macho possui a Wolbachia, os óvulos fertilizados morrem. Dessa forma, a bactéria é transmitida naturalmente para as novas gerações de mosquitos. Este procedimento é capaz de evitar que os vírus sejam transmitidos para os seres humanos durante a picada.

O protocolo da fase de expansão do projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) após rigorosa avaliação sobre a segurança para a saúde e para o meio ambiente. O projeto teve o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, com contrapartida da Fiocruz.

A liberação de mosquitos com a bactéria Wolbachia começou em agosto de 2015 em Jurujuba, bairro de Niterói e em Tubiacanga, bairro do Rio de Janeiro e se encerrou em janeiro de 2016. Desde então, vem ocorrendo um monitoramento semanal, com mosquitos sendo coletados em armadilhas e levados ao laboratório para verificar se possuem a Wolbachia.

O pesquisador da Fiocruz Luciano Moreira, coordenador do projeto no Brasil, informa que a Fiocruz conseguiu chegar a 90% de sucesso na substituição de mosquitos Aedes aegypti comuns por outros que não conseguem transmitir dengue, zika e chikungunya. "Mais de um ano e meio após nós pararmos de liberar mosquitos nestas duas localidades, uma vez que mais de 90% deles contêm a bactéria. Isso comprova a autosustentabilidade do projeto. Não precisamos ficar voltando à mesma área para fazer novas liberações", explicou o pesquisador.

Moreira destaca que o projeto não envolve nenhuma modificação genética, nem no mosquito e nem na bactéria. O que o projeto faz é uma introdução artificial da bactéria no mosquito. Além disso, a iniciativa não elimina o mosquito do meio-ambiente, apenas substitui uma população capaz de transmitir doenças por outra incapaz. "É uma iniciativa totalmente segura. Estudos já mostraram que a Wolbachia , que está presente em 60% dos insetos, mas não no aedes, não oferece riscos à saúde humana, ainda que o mosquito pique uma pessoa".

A Fiocruz ainda não realizou estudos epidemiológicos para avaliar se de fato ouve redução do número de casos de dengue, zika e febre chikungunya com o projeto Eliminar a Dengue: Desafio Brasil. Ainda assim, evidências apontam para a diminuição dos casos. "Em todos os países envolvidos, há mais de 40 localidades onde já houve liberação de mosquitos. Em nenhuma delas foi observada ocorrência de surtos, isto é, muitos casos em determinada área. É um indício de que o projeto está funcionando", disse o pesquisador Moreira.

O próximo passo do projeto no Brasil é a sua expansão no Rio e em Niterói, já que as áreas atingidas até então nestas duas cidades envolviam populações pequenas, entre três e quatro mil pessoas. Em Niterói, já estão sendo liberados mosquitos em uma área com 270 mil habitantes. No Rio de Janeiro, o trabalho começa em agosto, em dez bairros. Nos meses seguintes, outras regiões da cidade serão incluídas e a previsão é que, até o final de 2018, o projeto já tenha alcançado uma área onde vivem 2,5 milhões de pessoas. A inclusão de Belo Horizonte no projeto em 2018 começará pela região da Pampulha e pela região norte, áreas que têm cerca de 840 mil habitantes no total.

Organização Mundial da Saúde apoia testes com Aedes aegypti geneticamente modificado e uso da bactéria "Wolbachia", que pode impedir transmissão do vírus. Segundo a agência da ONU, o método também já foi usado em insetos para controlar pestes agrícolas.

Rota do Artesanato privilegia produção local e movimenta turismo

Com o objetivo de valorizar a produção de trabalhos artesanais e oferecer espaço de exposição e venda para trabalhadores manuais da cidade, foi criado a Rota do Artesanato. Produtores de Brasília com carteira de artesão expedida pela Secretaria do Esporte, Turismo e Lazer podem se inscrever até quinta-feira, dia 27 para edição que acontece no Setor Comercial Sul, de 1º a 3 de agosto.

Esta Rota do Artesanato oferece 25 vagas para os artesãos da cidade comercializarem seus produtos sem que tenham de pagar imposto pela venda ou pelo uso da área pública. Os interessados devem fazer o cadastro pelo site da Secretaria Adjunta de Turismo e a relação dos selecionados será divulgada na sexta-feira dia 28, também no endereço eletrônico da pasta.

Para obter a carteira de artesão e poder participar das edições da Rota do Artesanato, os interessados devem entrar em contato para agendar uma visita na Secretaria Adjunta de Turismo, que fica no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, para mostrar o material produzido.

Além do Setor Comercial Sul, são feitas edições de dois ou três dias na Galeria dos Estados, no Palácio do Buriti, no Setor Bancário Norte e no Setor Comercial Sul. Até o final deste ano estão previstas mais 23 rotas.

 
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