Um “convite” à pedofilia

Camisetas com conotação sexual foram vendidas para público infantil pela marca de roupas do apresentador Luciano Huck. O site as retirou do sistema de vendas na terça (03) e a empresa desculpou-se pelo ocorrido.

O site UseHuck, que comercializa camisetas pela internet, marca de propriedade do apresentador da Globo Luciano Huck, colocou à venda peças infantis com frases com conotação sexual. Os dizeres “Vem ni mim que eu tô facin" estampam uma das camisetas à venda por R$ 59,90. A expressão – usada em diversas músicas, entre elas em uma composição de Dado Dolabella – destacou a camisa usada por uma modelo infantil, com tamanhos que variam entre 2 e 12. 

A própria descrição do produto, seguindo a linha do próprio, é de um grande mau gosto. “É hora de colocar o bloco na rua, aproveitar cada segundo os dias de folia! Por isso a Huck criou uma coleção especial para você fazer bonito na avenida e receber o carnaval no estilo! Como a camiseta Vem Ni Mim Que Tô Facin. A camiseta estampada com a frase "Vem Ni Mim Que Tô Facin" é a cara do carnaval! Uma camiseta divertida. Uma camiseta personalizada. Uma camiseta exclusiva!”. As peças, como demonstra a descrição do produto, foram elaboradas para o carnaval. 

Além da mencionada camiseta, outras foram comercializadas no site. “Me beija que sou carioca” e “se eu não lembro, eu não fiz” também fazem parte do estoque. A venda destes produtos é uma grande ofensa à toda sociedade. 

Na terça-feira (03) o site divulgou uma nota oficial sobre o caso. Veja:

"Pedimos profundas desculpas sobre a camiseta Vem Ni Mim Que Tô Facinha e sentimos muito por todos que foram ofendidos pela imagem.

Este Comunicado não tem o objetivo de justificar o injustificável; mas apenas de explicar o motivo do erro para que fique claro que não houve qualquer intenção maldosa.

Não nos eximimos do erro, nem de qualquer responsabilidade, mas é importante esclarecer que não houve a intenção de ofensa.

É comum em e-commerce que as artes das estampas sejam aplicadas posteriormente sobre fotos dos modelos com camiseta branca, conforme o exemplo abaixo.

Por erro nosso, todas as artes de Carnaval (inclusive e infelizmente, esta arte) foram aplicadas sobre a coleção infantil e disponibilizadas no site sem a devida revisão.

Assim que percebemos esse lamentável erro, imediatamente retiramos a imagem do ar e decidimos escrever essa carta para explicar tecnicamente o problema conjuntamente com um pedido de desculpa pela falta de bom-senso e pelo descuido.

Obviamente, não fosse o erro, nem a USEHUCK, nem qualquer outra marca, teria a intenção de usar uma imgem como essa para vender camisetas ou para qualquer outro fim."

O caso gerou revolta na internet, o que não é para menos. Além da publicidade negativa que a marca obteve, a repercussão do caso ganhou outras proporções. A grife foi notificada pelo Procon do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (5). O órgão quer saber quantas peças foram vendidas, quem foram os consumidores e exige uma “contrapropaganda para apagar os efeitos negativos da publicidade ilícita no comportamento do consumidor”. Caso não preste os devidos esclarecimentos e não tome providências, a companhia pode ser multada e, o site, retirado do ar.

A secretaria municipal de Defesa do Consumidor do Rio de Janeiro afirmou, em nota, que “essa é uma prática abusiva prevista no artigo 37 do Código de Defesa do Consumidor, que incita a violência, se prevalece de vulnerável para obter lucro e denigre a imagem de crianças e adolescentes”. 

Que o caso sirva de lição para que as empresas tenham mais responsabilidade social, nas mais distintas esferas, bom senso e que atentem-se ao fato de que a sociedade não tolera atuações que fujam destes parâmetros.

 
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