Respeitado músico português conversou com Gilbert sobre sua trajetória de sucesso
Escrito por Gilbert Di Angellis   

Entrevista com MIGUEL ARAÚJO

Miguel Araújo é um músico português respeitado em seu país como um dos mais talentosos artistas em ascensão. Digo ‘ascensão’ por se tratar de um profissional da música que está sempre alcançando voos mais altos em trabalhos cada vez mais interessantes. Conheci seu som em uma viagem pela TAP com destino ao seu país.  Na ocasião pude apreciar seu mais novo álbum, o primeiro em carreira solo, “Cinco dias e meio”. Músicas como “O marido das outras”, “Fizz Limão” e “O Capitão Fantástico” foram as primeiras que ouvi de que sua criação e algumas das que mais gosto até hoje. 

Miguel Araújo ganhou destaque nacional por sua atuação na banda “Os Azeitonas”. Ele é um dos integrantes fundadores desta banda que foi formada em 2002. Lançou seu primeiro disco em carreira solo no ano de 2012. Para 2014 já tem novidades: o novo álbum ‘Crónicas da Cidade Grande’. Para se ter uma ideia do sucesso de Miguel em seu país, seus dois vídeos de mais popularidade somam quase 7 milhões de visualizações no youtube. Isso em uma nação com pouco mais de 10 milhões de habitantes. Após alguns anos acompanhando seu trabalho tive a oportunidade de conversar com ele pela internet que, muito simpático e solícito, nos respondeu todas as perguntas. 

 

Seus trabalhos são bastante respeitados em Portugal. Atualmente você se destaca como um talentoso músico e compositor. Como tudo isso começou? De que forma sua vida te levou para este caminho?

Comecei a tocar um bocado de guitarra, baixo, piano, com 11 anos. Os meus tios tinham e têm uma banda de covers de rock, amadora, e por essa altura eu comecei a interessar-me por aquilo que eles faziam. Sempre como autodidacta, a ouvir os discos que eles me sugeriam (Beatles, Dylan, etc), e assim foi. Nunca mais parei, até hoje.

 

Em quem você se inspira para fazer suas composições? 

Geralmente as músicas (melodias) nascem antes das letras. Quase sempre nascem em momentos de distracção, quando eu estou sentado no sofá a ver televisão, ou algo assim. E os dedos começam em loop a fazer qualquer coisa semi-inconscientemente, que me chama atenção. Depois tento organizar aquilo, aí através de trabalho e disciplina. E tento descobrir quais são as palavras que aquela melodia me sugere. Dá sempre um trabalhão danado, cada vez é mais difícil.

 

Como músico você faz inúmeras parcerias com outros artistas portugueses, tais como Os Azeitonas, João Só, Antônio Zambujo, Luísa Sobral e Nuno Markl. Como é trabalhar com tantos nomes de sucesso e respeitabilidade?

Cada caso é diferente. Azeitonas não é bem parceria, é a minha banda mesmo. Sou um dos fundadores e é um projecto a tempo inteiro. Foi onde eu comecei e tenho muito orgulho em a banda ainda existir activamente, 12 anos depois do começo. Nos outros casos são coisas que vão surgindo espontaneamente, com naturalidade. A única coisa que todos esses casos têm em comum vem do facto de ser tudo pessoas que eu já conhecia antes, com quem já existia alguma afinidade.

 

Seu primeiro disco em carreira solo foi lançado em maio de 2012, intitulado “Cinco dias e meio”. Nele destaco algumas canções, como “Os maridos das outras”, “O Capitão Fantástico” e “Fizz Limão”. Fala um pouco para nós sobre essa experiência? O que achou do que resultado deste primeiro disco?

Foi um disco propositadamente não-produzido, um bocado também para desenjoar daquilo que vinha fazendo há anos com os azeitonas, que são sempre trabalhos muito demorados, pensados e produzidos. A ideia era ser eu a tocar os instrumentos todos, gravar a voz e a guitarra em simultâneo, em princípio ao primeiro take (partir para outro take apenas se me enganasse mesmo!), e deixar a coisa sair assim, muito crua. Gosto muito do disco, acho que essa ideia passa bem, soa bem e muito natural. Há casos de músicas em que nem sequer cantei a musica toda pois não tinha as letras à frente, cantei tudo de cabeça! (Matérias do Coração, essa música tinha mais uma parte no fim que eu pura e simplesmente me esqueci de cantar, na versão do disco)

 

Você adquiriu bastante experiência e maturidade e agora está com um novo trabalho solo. É a vez de “Crónicas da Cidade Grande” ser apreciado pela crítica e por seus fãs. O que falar sobre este novo disco?

Tal como no disco anterior, parti para ele com uma ideia. Queria obviamente fazer diferente, e rodeei-me de muitos músicos (basicamente, o pessoal da banda que toca comigo ao vivo). O disco vem na esteira de quase dois anos a tocar muito ao vivo, por isso a banda está boa, bem articulada. O João Martins, saxofonista da banda, revelou-se também um excelente arranjador e assina os arranjos das músicas (cordas, metais, madeiras, etc.). Coisa que nem existe no primeiro disco, isso dos arranjos. É por isso um disco muito mais produzido. Mas também não queria perder esse lado mais espontâneo do primeiro disco, por isso gravamos muitas das bases todos a tocar ao mesmo tempo, no estúdio. E tentei (tentei!) cantar com naturalidade, sem repetir muitas vezes e sem ser muito perfeccionista. Quanto ao conteúdo narrativo do disco, fala de uma história em concreto, a vida de um personagem chamado José. Desde que ele nasce até que ele morre. Não sendo propriamente um disco conceptual, existe ali uma narrativa, um fio condutor que leva as canções de enfiada, através do disco todo.

  

 

 

Texto e perguntas: Gilbert Di Angellis. Entrevistado: Miguel Araújo. Data: 02/04/2014 

 
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